Review | Agents of Mayhem

A Volition se consolidou como uma boa empresa desenvolvedora de jogos com a série Saints Row, quando apresentou uma abordagem de mundo aberto que extrapolava o limite do pé no chão e contava sua história em tons de comédia. Este DNA, ao que parece, é o que guia os caminhos da empresa com o lançamento de Agents of Mayhem, um spin-off de Saints Row, que tem na franquia mãe, sua musa inspiradora mas ao mesmo tempo um forte inimigo.

Agents of Mayhem narra a história da agência Mayhem, criada para lutar contra a Legion e seus planos malignos de dominação mundial. Fundada por Phersephone, uma ex-Legion, a Mayhem possui em seu plantel de agentes os mais variados tipos de pessoas, desde um boa praça ator de Hollywood a uma indiana que está em busca de uma cura para uma doença que assola seu país.

A começar pelo seu maior trunfo, Agents of Mayhem deve muito a seus personagens. Carismáticos e com humor de todos os tipos, dentre os 12 disponíveis, você irá se identificar com muitos deles. Da jogadora de roller derby e apreciadora de um coquetel, Daisy até o turrão e mal humorado russo Yeti, cada agente possui suas características próprias e seu jeito de lidar com a situação que está enfrentando no momento. Por isso, é louvável o esmero da Volition em criar diálogos específicos para cada tipo de personagem na mesma missão.

Dada a sua estética de desenho animado e com uma arte que lembra muito Overwatch, Agents of Mayhem se apoia no humor para conduzir sua história (que é boba e descompromissada, como deve ser). Em meio às missões, os agentes conversam entre si via rádio e os assuntos são variados. Desde tentativas (muitas vezes frustradas) de paqueras, como discussões a respeito da relevância da Escócia no cenário do futebol mundial. Esta característica traz uma leveza necessária ao jogo, que trilha a sua história com animações que mais parecem desenhos saídos das TVs dos anos 90, carregados com o mesmo humor e megalomania de vilões com que já estamos acostumados nestas produções. Isso é um ponto positivo, já que a carga de complexidade em Agents of Mayhem fica por conta do combate e mecânica de jogo.

Mas aqui, complexidade não quer dizer dificuldade. Seu combate é fluído, divertido e requer uma boa dose de estratégia dada a variedade de inimigos e habilidades disponíveis para cada agente. Antes de iniciar uma missão, é importante diversificar seus agentes ao máximo, na tentativa de usar estas habilidades a seu favor. Por exemplo, destacando um que é melhor em eliminar escudos inimigos para combater primeiro e, em seguida, trocar imediatamente para um agente que provoca mais dano com sua arma. Esta versatilidade é permitida e até mesmo incentivada pelo sistema de troca de agentes durante o combate, que é imediato, apenas com o apertar do direcional. Preste atenção durante a troca de tiros, às vezes, o agente que está em espera avisa pelo rádio que ele é a melhor opção para aquela situação.

No entanto, enquanto você dá risada das situações, dos diálogos e da personalidade de cada personagem, muitas coisas em Agents of Mayhem não são motivos de alegria e risos. A começar pela falta de polimento técnico no jogo. Apesar de bonito, é frequente a queda de quadros em determinadas ocasiões, inclusive em combate, o que frustra um pouco e tira o jogador da ação frenética em que ele é baseado.

Mas o maior calcanhar de aquiles do jogo é a falta de criatividade nas missões, tanto as principais quanto as paralelas. Com exceção de algumas (principalmente as específicas de cada agente), a grande maioria das atividades propostas se resume a ir até tal ponto, escanear o local a procura da entrada do covil, entrar no covil, matar inimigos em uma sala, hackear algumas coisas, matar mais inimigos e sair do covil. Imagine um ciclo eterno disso que acabei de escrever e você já sabe como funciona Agents of Mayhem. Os covis, inclusive, são os pontos mais chatos. Gerados proceduralmente, eles nada mais são do que os mesmos módulos encaixados de formas diferentes. Ou seja, no terceiro covil que visitar você já vai ter aquela sensação de que já viu aquilo antes. Quando você estiver no décimo então…

Agents of Mayhem também deixa a desejar na construção da sua Seul futurista. Como um mundo aberto em que você tem a liberdade de executar qualquer tarefa que o jogo propõe, sua vontade de fazer as coisas vai por água abaixo quando você nota que há pouca diversidade nas atividades propostas e, as que existem, são pouco inspiradoras e vão de simples resgates de reféns a algumas tomadas de pontos de controle da Legion (que são repetitivas tal qual as missões principais do jogo). Explorar Seul se torna ainda menos atraente quando se percebe o quanto a cidade é morta. Quase não há pessoas nas ruas e isso prejudica um bocado em fazer o jogador se sentir parte de algum mundo e que suas ações interferem de alguma forma na vida daqueles seres digitais.

Enfim, Agents of Mayhem faz bom uso daquilo que a Volition soube fazer bem em Saints Row, mas é exatamente em razão dessa comparação inevitável que o título desliza em alguns pontos e se torna apenas um jogo que diverte, mas não se destaca em meio a tantos outros por aí.

Este review foi produzido com uma cópia para Xbox One cedida pela assessoria de imprensa da Deep Silver, distribuidora do jogo.