Review | American Horror Story: Cult

Quando criou American Horror Story, Ryan Murphy talvez não tivesse noção do fenômeno que tinha em mãos. Todos os anos os fãs aguardam sedentos a escolha do tema da nova temporada, assim como quais serão os acontecimentos bizarros e violentos que serão desenvolvidos nos episódios.

Sempre atual e crítico, Murphy anunciou que a eleição de Donald Trump seria um dos temas principais deste sétimo ano. Assim que foi divulgado, a história passou a ser bastante especulada pela crítica e pelos fãs, todos curiosos para conferirem a forma com que os últimos acontecimentos nos Estados Unidos seriam retratados.

Para a surpresa, ao contrário de temporadas anteriores, onde elementos sobrenaturais como feitiçaria, demônios e espíritos vingativos eram o mote central da trama, a nova fase, que leva o subtítulo Cult, constrói seu terror em cima de pessoas e acontecimentos reais. Dessa forma, a temporada parte para uma ameaça ainda mais assustadora: os seres humanos.

Cult tem como protagonistas Sarah Paulson – herdando o posto de musa de Murphy após a saída de Jessica Lange – e Evan Peters – ambos remanescentes desde a primeira temporada. A história apresenta Ally (Paulson), lésbica e democrata que vê seus maiores medos virem à tona após a eleição de Trump. Kai (Peters), o enlouquecido líder de um culto que encara a vitória do empresário como uma forma de explorar o temor alheio. Seus mundos se cruzam quando Ally e sua companheira, Ivy (Alison Pill), contratam a irmã de Kai, Winter (Billie Lourd), como a nova babá de seu filho.

A eleição de Trump é apenas a desculpa inicial para Murphy e a equipe de roteiristas traçarem um paralelo entre os dias de hoje com o passado da história americana, sempre recheada de histórias assustadoras envolvendo cultos comandados por grandes lideres.

A estrutura dos episódios vai e vem no tempo para apresentar os fatos, mexendo muito com a sanidade dos personagens. Os flashbacks apresentam figuras curiosas. Charles Manson – interpretado também por Peters – não poderia ser deixado de fora e sua presença é um dos acontecimentos mais assustadores da série. O numeroso elenco de coadjuvantes desfila os tipos estranhos e sanguinários presentes na história.

Peters carrega a temporada assumindo de uma vez o posto de protagonista. O jovem ator demonstra muita habilidade e sincronia com todas as esquisitices apresentadas ao longo da série. Sem medo ele retrata muito bem homens comuns e estúpidos, mas que ao mesmo tempo são fascinantes, características necessárias para lideres que exercem poder sobre outras pessoas.

Sarah Paulson – menos histérica do que na temporada passada – ganha uma narrativa fragmentada e a evolução da sua personagem acontece às pressas. São muitas nuances que precisariam de mais tempo para se desenvolver.

Cult consegue manter o clima de terror impresso em todas as temporadas. Murphy consegue inserir palhaços na história, deixando tudo mais assustador. Mas dessa vez, tudo fica ainda pior quando percebemos que são os próprios seres humanos as maiores ameaças para a sociedade.

Com tantos discursos de ódio e intolerância vindo de qualquer pessoa e de grandes lideres, o tema da temporada não poderia ser mais atual e assustador.