Review | F1 2017

A Codemaster já havia acertado, e muito, neste ano, quando lançou DiRT 4 (você pode ver o quanto lendo o nosso review do jogo). Agora, a empresa comprova toda a sua habilidade em correr em qualquer tipo de pista com a chegada de F1 2017, que é um exemplo de como se fazer uma simulação do maior campeonato de automobilismo do mundo.

Fazer de F1 2017 um jogo ainda melhor que o seu antecessor, o F1 2016, era uma tarefa difícil. O título do ano passado já era ótimo no que se propunha e fornecia uma experiência praticamente completa na direção dos Fórmula 1. Mas com algumas adições como os carros clássicos, os eventos de exibição e uma área de pesquisa e desenvolvimento que mais parece uma árvore de habilidades saída de um Witcher 3 da vida, F1 2017 consegue superar o jogo do ano passado e proporcionar algo mais para o jogador.

Seu principal carro-chefe continua sendo o modo Carreira. Nele você monta o seu piloto (cuja customização é o ponto mais fraco do jogo, já que possui poucas opções), escolhe pra qual equipe quer correr e quem será seu parceiro. Na escolha da equipe já reside a primeira de inúmeras decisões que você terá que tomar como um piloto. Você pode correr tanto para a Mercedes, quanto para a Sauber, mas tem que arcar com as exigências da equipe. Enquanto que a primeira quer ser a campeã, a última está em busca apenas de evolução. E com o sistema de reputação que existe, em que todos os seus resultados interferem na visão que a equipe possui de você como piloto, escolher a Mercedes vai exigir um certo trabalho para garantir sua permanência.

Em comparação com a versão de 2016 do jogo, o F1 2017 traz os muito bem vindos eventos de exibição. Em alguns momentos da temporada você tem a chance de participar de eventos específicos com carros clássicos como a McLaren MP4/6 em que Ayrton Senna foi tricampeão em 1991, ou a Renault R26, campeã com Fernando Alonso. Estes eventos são ótimos para quebrar a repetição que as 20 corridas da temporada completa podem causar nos jogadores. Em cada um destes eventos, os desafios são específicos como ultrapassar um certo número de corredores em um tempo pré determinado, por exemplo. Os carros clássicos também estão disponíveis em outros modos de jogo, inclusive no multiplayer.

Outra novidade é a nova árvore de pesquisa e desenvolvimento do seu carro. A cada desafio completado nos treinos livres, classificatórios e nas corridas, você ganha os chamados Pontos de Recursos, que podem ser utilizados para destravar melhorias para a equipe e o veículo. Estas melhorias fazem com que a barra de progresso da evolução da equipe avance e ela comece a se tornar mais relevante no cenário. Então, sim, é possível você começar na Sauber e tornar ela, em até 10 temporadas (que é quando “acaba” a sua carreira”), uma das potências da F1.

Durante as corridas, o modo de customização dos carros é completo. A vantagem é que aqui, assim como no F1 2016, essa customização não assusta os jogadores menos experientes. A Codemasters teve o cuidado de deixar o jogo acessível tanto para quem não entende nada de F1 como para quem quer ajustar 12° a asa dianteira para conseguir mais aderência em curvas fechadas.

Assim como no F1 2016, a Codemasters manteve a relevância e importância dos treinos livres durante o modo Carreira. Lembra quando você jogava jogos de F1 e ia direto para o classificatório e para a corrida? Aqui isso não ajuda em nada. Os treinos livres são essenciais para você conhecer a pista, ver o desgaste de pneus, o consumo de combustível etc. Cada um destes aspectos é de suma importância para a definição da estratégia a ser seguida na corrida, que também pode ser customizada (você pode fazer uma corrida de apenas 5 voltas ou até mesmo uma corrida real, com cerca de 1h30 de duração).

Até mesmo o que é chato na F1, que são as infinitas regras envolvendo equipes, carros e pilotos, não atrapalham a experiência. Novamente, a Codemasters conseguiu transpor a barreira da chatice e tornou a administração destas regras um exercício claro e objetivo, até mesmo para quem não entende do mundo da F1. As explicações para as punições de trocas de peças em razão do desgaste de cada um são bastante claras e não causam dúvidas.

O auto poder de gerenciamento do carro e da equipe faz com que F1 2017 seja um jogo em que não basta apenas saber pilotar. Cada decisão tomada, em cada curva, em cada pit stop é relevante para o seu resultado. Por isso, é justo afirmar que F1 2017 não testa apenas a sua habilidade, mas também o seu poder de tomar decisões difíceis. Iguais a essa que eu acabei de tomar: eu vou correr pela Sauber!

 

Este review foi produzido com um código cedido pela assessoria de imprensa da Deep Silver, distribuidora do jogo.