Review | Lady Gaga – Joanne

Depois de Beyoncé e Rihanna, agora é a vez de Lady Gaga mostrar em seu novo álbum uma versão mais intimista de seu trabalho, mesmo que para isso a cantora tenha que retomar acontecimentos tristes de seu passado. O quinto álbum de estúdio da cantora chama-se Joanne, que nada mais é do que uma homenagem à sua tia, que morreu aos 19 anos de lúpus, antes mesmo da cantora nascer.

Em seu novo trabalho, Gaga volta às origens, contrariando todos aqueles que esperavam um retorno da diva pop às pistas de dança e às paradas musicais, ainda mais depois dela flertar com o jazz. A verdade é que Gaga sempre fez o que quis. Desde apresentações surpreendentes na televisão (vide VMA), videoclipes (ou seriam curtas-metragens?), turnês mundiais, Gaga nunca foi presa a um estilo ou gênero, sempre vestiu roupas extravagantes, abusou de perucas, saltos plataformas e até homem ela já foi (!). A cantora nunca precisou seguir um padrão, pelo contrário, o padrão a ser seguido era ela.

Com uma carreira e discografia razoavelmente curtas, Lady Gaga estreou dominando a cena musical com The Fame. Na sequência do sucesso veio o pretensioso Born This Way e mais uma leva de singles, e depois o incompreendido ARTPOP. Gaga pegou então todos de surpresa quando apresentou uma inesperada e bem sucedida parceria com Tony Bennett, lançando o disco de jazz Cheek to Cheek.

A partir daí, Gaga foi se arriscando em outros segmentos. Fez cinema, colaborando com o diretor Robert Rodriguez, mas se encontrou na TV com a série criada por Ryan Murphy, American Horror Story. Com o segmento Hotel, da antologia criada por Murphy, Gaga recebeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz. Destacam-se ainda suas apresentações nas duas últimas cerimônias do Oscar: em 2015, Gaga homenageou os 50 anos de A Noviça Rebelde, e em 2016, apresentou a canção indicada Til It Happens to You, do documentário The Hunting Ground, numa performance que comoveu a todos. Inacreditavelmente, a canção perdeu para a chatinha Writing’s on the Wall, de 007 Contra Spectre. Seu projeto mais ousado no cinema será com a refilmagem de Nasce Uma Estrela, filme que marca a estreia de Bradley Cooper (Pegando Fogo) na direção. Ela ainda será a responsável pelo show do intervalo do Super Bowl de 2017. Ou seja, ouviremos falar muito dela nos próximos anos.

Mas vamos falar de Joanne. Gaga deixa bem claro suas intenções neste novo disco ao se unir ao mega produtor Mark Ronson para misturar diversos gêneros musicais e fazer com que todos eles se entendam e soem bem. Estão presente no disco: rock, country, blues e pop, e a miscelânea de estilos faz com que seja impossível parar de ouvi-lo. É uma Lady Gaga apresentando uma nova faceta musical.

Perfect Illusion surgiu como o primeiro single. Os vocais gritados, as guitarras, o refrão repetido a exaustão, deram a entender que Gaga se arriscaria no rock, mas Joanne é tudo, menos um disco de rock. Em 11 faixas, a cantora se diverte no country com uma porção de canções deliciosas e de fácil aceitação. Gaga não esquece seu lado politizado, fala da comunidade LGBT e do poder da união entre as mulheres (chamando Florence Welch para ajudá-la nisso). Mas Gaga sofre demais em suas novas músicas. A maioria são canções muito emocionais, onde ela lida com perdas e decepções, mas também se tornam os veículos perfeitos para ela usar sua bela voz para se expressar, sendo o maior exemplo disso a canção Million Reasons. Aliás, o grande mérito do novo disco é deixá-la cantar, sendo pela primeira vez a protagonista de seu disco, deixando seu vozeirão em evidência e não mais a parafernália instrumental.

Joanne tem muito a dizer, mas não de forma chata, pelo contrário, é um disco feito para agradar a todos, inclusive as rádios e os little monsters. É um álbum com um propósito e expressa a maturidade e genialidade da cantora. É inspirador e condizente com a atual cultura pop, levantando bandeiras, mas sem ofender ninguém, é Gaga sendo fiel às suas origens musicais, abrindo o coração e soltando a voz.

gaga

Músicas:

01 Diamond Heart

02 A-Yo

03 Joanne

04 John Wayne

05 Dancin’ In Circles

06 Perfect Illusions

07 Million Reasons

08 Sinner’s Prayer

09 Come to Mama

10 Hey Girl [ft. Florence Welch]

11 Angel Down