Review | Mulher-Maravilha

Mulher-Maravilha é um filme importante. Marca a estreia da super-heroína nas grandes telas (76 anos após o seu surgimento nos quadrinhos), carrega todas as expectativas sobre o Universo Estendido da DC depois do criticado Batman vs. Superman e do frustrante Esquadrão Suicida e prepara o território para a chegada da Liga da Justiça em novembro deste ano.

Mas é preciso dizer que o longa-metragem encontrou e acertou em cheio seu tom. Estrelado por Gal Gadot (que foi amplamente criticada pela pouca experiência e por seu biotipo, mas que já havia roubado a cena em BvS) e dirigido por Patty Jenkins (de Monster: Desejo Assassino), o filme opta por um caminho simples, mas eficiente, ao contar a origem de Diana Prince de forma sensível e empolgante.

Para isso, somos levados à paradisíaca ilha de Themyscira, onde conhecemos a princesa ainda criança. Fascinada pelo treinamento das amazonas, a pequena também quer ser uma guerreira, mas encontra como obstáculo a sua protetora mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen). É então que entra em ação sua tia, a General Antíope (Robin Wright), que a treina secretamente. A atriz, aliás, brilha – mesmo com pouco tempo de tela.

A conexão com o mundo dos humanos é feita através do capitão Steve Trevor (Chris Pine), que aparece na ilha, explica para Diana sobre a Grande Guerra e ganha a companhia da guerreira na tentativa de cessar a batalha.

A direção de Patty Jenkins faz toda a diferença neste longa-metragem. O girl power, característica forte do universo da Mulher-Maravilha, está vivíssimo ali. As amazonas são um espetáculo à parte. É de emocionar qualquer mulher o clima de sororidade e respeito entre elas. São retratadas como fortes (não apenas fisicamente), mas afetuosas.

A própria Diana Prince é uma pessoa complexa, bem próxima da realidade: é corajosa ao ponto de ser gananciosa; é forte, mas também muito sensível; é inocente, mas não ingênua. Gal Gadot nos entrega uma personagem incrivelmente cativante e totalmente badass.

Steve Trevor, o interesse amoroso, é o contrabalanço ideal. Os personagens se complementam. Um entende a motivação do outro e eles se apoiam até onde é possível para cada um. Os outros personagens de apoio também são interessantes, como Lucy Davis como Etta, a secretária do capitão, que personifica as limitações vividas pelas mulheres na época; e Saïd Taghmaoui como Sameer, Ewen Bremner como Charlie e Eugene Brave Rock como Chief, como os companheiros de batalha, tendo cada um o seu arco pessoal.

Direção de arte, bem como maquiagem, penteado e figurinos, são competentes em retratar a época e os personagens. A fotografia também colabora para pontuar visualmente a diferença dos dois mundos de Diana: enquanto Themyscira é brilhante, de encher os olhos, Londres é suja, destruída e depressiva. Por fim, a edição é objetiva em apresentar uma história redondinha.

Os pontos negativos (há de se apontar) são a construção dos vilões e a carência de motivação deles (o que vem sendo comum nos últimos filmes de super-heróis), a trilha sonora fraca, quase subutilizada, sem nada muito marcante – além da música tema da personagem – e como a fotografia acaba se destoando do restante do filme no ato final.

Danny Huston é o grande vilão do filme