Review | Star Trek: Discovery (Primeiras Impressões)

Desde 2005, a televisão não contava com um seriado baseado no universo criado por Gene Rodenberry. Tudo bem que o reboot cinematográfico deflagrado por J.J. Abrams, a partir de 2009, preencheu o vazio nos corações dos trekkers. Mas, como o que se viu nos três longas estrelados por Chris Pine e Zachary Quinto passou a ser chamado de Linha do Tempo Kelvin (nome da nave do pai de Kirk destruída no primeiro filme, evento que cria um universo alternativo), ainda havia a Linha do Tempo Prime, a de todos os outros seriados e filmes da franquia, a ser retomada.

Semana passada, a Netflix exibiu os dois primeiros episódios da aguardada Star Trek: Discovery, exibida nos EUA pela rede CBS e no Brasil pela Netflix. Daí o formato de episódios semanais, com espaços para intervalos comerciais durante cada episódio.

A ação se passa 10 anos antes do início das missões comandadas por James T. Kirk na série original, e relata basicamente o início da guerra contra os klingons, que já havia terminado quando a Enterprise inicia sua jornada de cinco anos, “indo audaciosamente onde homem nenhum havia chegado”. Os dois primeiros episódios, exibidos simultaneamente, deram uma impressão de prólogo da história, que veio a se confirmar com o terceiro episódio nesta semana.

A protagonista é a Primeira Oficial Michael Burnham (Sonequa Martin-Green, de The Walking Dead), a única humana a ser educada na Academia de Ciências de Vulcano, tendo sido adotada por Sarek (James Frain, de Gotham), pai de Spock, depois que sua família foi morta num ataque klingon.

Ela serve a bordo da nave Shinzou, comandada pela capitã Philippa Georgiou (Michelle Yeoh, de O Tigre e o Dragão), sua amiga e mentora. Um incidente faz com que a tripulação cruze o caminho de uma enorme nave chefiada por T’Kuvma (Chris Obi, de Deuses Americanos), que ambiciona reunir as casas klingons para formar um grande império. Para conseguir isso, seu plano é relativamente simples, uni-los em torno de um inimigo em comum: a Federação.

A execução do plano e suas consequências acontecem nos dois primeiros episódios. No terceiro acontece o encontro de Burham com a Discovery, uma moderna nave científica capitaneada por Gabriel Lorca (Jason Isaacs, o eterno Lucius Malfoy de Harry Potter), que a convida a participar da revolucionária pesquisa que pode decidir a guerra. Não é nenhum spoiler dizer que, após participar de um perigoso resgate de informações em outra espaçonave, ela aceita, pois caso contrário não haveria seriado.

Dois atores com importante currículo no sci-fi também integram o elenco: Doug Jones, que interpreta o alien Saru, e que foi Abe Sapien nos dois Hellboy e o fauno no Labirinto do Fauno; e Rekha Sharma, a chefe de segurança Landry, que trabalhou em Batllestar Galactica e V: Visitantes.

Se o roteiro é meio confuso no começo, os personagens e os efeitos especiais são dignos da marca Star Trek (não vamos comparar com os filmes, que tem mais grana), e no terceiro episódio as coisas começam, de fato, a andar. A primeira temporada terá 15 episódios no total, e como obedece a agenda das TVs abertas americanas, que interrompem a programação na virada do ano, deve terminar apenas em fevereiro de 2018.

Com três episódios de um total de 15, é impossível dar um veredito, mas dá para recomendar a volta da franquia para fãs de Star Trek e da ficção científica em geral. Eu, um velho trekker, pretendo acompanhar as aventuras de Michael Burnham e da nave Discovery. No final, voltaremos a nos falar.

Confira algumas imagens de Star Trek: Discovery

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