A cerimônia de entrega do Oscar acontece no próximo dia 15, e a expectativa de todos nós é sobre as chances de O Agente Secreto em suas quatro indicações: Filme, Filme Internacional, Ator, para Wagner Moura, e a novidade deste ano, Elenco, que seria recebido por Gabriel Domingues. Em termos de Brasil, tem ainda Adolpho Veloso concorrendo em Melhor Fotografia por Sonhos de Trem como favorito.
O Oscar, ou premiação da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas, tem pouco a ver com méritos artísticos, embora seja o troféu mais cobiçado e famoso do mundo. Surgiu como uma ação entre amigos da então pequena comunidade de Hollywood, que à medida em que ela dominou o planeta como ponta de lança do Império Americano, passou a ganhar importância para a maioria dos demais países.
A categoria Filme Estrangeiro surgiu oficialmente em 1956, depois que o Neo-Realismo Italiano revolucionou a forma de ver e fazer cinema. Tanto é que em 1956 e 1957, houve um bicampeonato de Federico Fellini, que é da segunda geração dos anos de ouro do cinema italiano, com A Estrada e Noites de Cabiria. Em 2020, justamente o ano em que o coreano Parasita levou o grande prêmio da Academia, o nome mudou para Filme Internacional, como um reconhecimento da indústria de língua inglesa da importância da produção dos outros países, tanto para manter a relevância do Oscar quanto pela visibilidade de novos talentos, dos quais Hollywood sempre foi ávida recrutadora.
Descontando Filme, em que as chances da obra de Kleber Mendonça Filho repetir Parasita são mínimas, como fica em Filme Internacional? Seu grande concorrente é Valor Sentimental, um filmaço de Joachim Trier, mas que andou derrapando nas últimas premiações, mantendo O Agente Secreto no páreo. Foi Apenas Um Acidente pode ser beneficiado pela atual guerra contra o Irã, que é o cenário da produção, apesar de concorrer pela França. Nem de longe é tão bom quanto os dois supracitados.
Em Ator, parecia tudo pronto para a consagração de Timothée Chalamet por Marty Supreme, mas sua derrota no Prêmio dos Atores, ex-SAG Awards, para Michael B. Jordan, mostra que não há tanta unanimidade entre seus pares, muitos dos quais votantes da Academia. Dificilmente o astro de Pecadores repetirá o feito no Oscar, por razões que elencarei abaixo, e a divisão dos votos pode beneficiar nosso Wagner Moura.
Em relação à categoria Elenco, é difícil até chutar, porque ela é nova e é personalizado no profissional que escala os atores. Nos Prêmio dos Atores, em que essa categoria equivale a filme do ano, ganhou Pecadores, mas, no caso, o elenco inteiro é que recebe o prêmio. Independente do mérito, um elenco de protagonistas pretos tem contra si o racismo intrínseco dos americanos (apenas 14 afro-descentes ganharam Oscar de atuação ao longo da história), e o timing, porque o filme entrou em cartaz lá no início da temporada.
E quem vai levar o grande prêmio da noite? Provavelmente, Uma Batalha Após a Outra, por suas próprias qualidades; pela direção de Paul Thomas Anderson, a quem a Academia anda devendo o devido reconhecimento, por ter levado o prêmio dos produtores e também pelo contexto político dos EUA, que também beneficia O Agente Secreto.
Essa vitória poderá ser confirmada durante a premiação, caso Uma Batalha Após a Outra vença Roteiro Adaptado e Direção, ambos para Paul Thomas Anderson, em que é franco favorito. Pessoalmente, acho Chloe Zao, de Hamnet, uma séria rival para ele, mas ela já ganhou sua estatueta por Nomadland em 2021, enquanto o autor de Magnólia e Ouro Negro, não. Pecadores deve levar Roteiro Original, de Ryan Coogler, e Trilha Musical, de Ludwig Göransson.
A disputa para o Oscar de Atriz deveria ser entre Jessie Buckley, de Hamnet, e Renate Reinsve, de Valor Sentimental, mas a primeira anda levando tudo e sua atuação como a esposa de Shakespeare tem aqueles clímax emocionais que capturam a audiência. Dificilmente perde..
Já nos Coadjuvantes, a incerteza é grande. Entre os homens, os favoritos são Stellan Skarsgard, por Valor Sentimental, e Sean Penn, por Uma Batalha Após a Outra, duas performances sensacionais entre as quais que não consigo me decidir. O Oscar estará em boas mãos de qualquer jeito.
A disputa entre as atrizes coadjuvantes tem mais de duas favoritas: Inga Ibsdotter Lilleaas, por Valor Sentimental; Teyana Taylor, por Uma Baralha Após a Outra; Amy Madigan, por A Hora do Mal e Yunmi Mosaku, por Pecadores. A maravilhosa atuação da noruteguesa Inga é tecnicamente superior, mas Teyana e Amy vem dividindo as premiações. A Perfídia de Teyana é hipnotizante, enquanto Amy tem a vantagem de ser uma veterana querida no meio. Difícil prever. Yunmi corre por fora, mas levou o Bafta britânico.
Dois prêmios importantes já são quase certos: Guerreiras do K-Pop deve levar os Oscars de Animação e Canção Original. As categorias ditas técnicas devem ser disputadas por F1, Frankenstein e, surpreendentemente, até por Avatar: Fogo e Cinzas.