O Melhor Filme de Drama no Globo de Ouro, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, entra em cartaz nos cinemas de todo o Brasil esta semana. O Agente Secreto, que deu os prêmios de Filme em Língua Não-Inglesa e de Ator para Wagner Moura na mesma premiação, volta à exibição em Indaiatuba. O Diário de Pilar na Amazônia e Extermínio: O Templo dos Ossos completam as estreias da semana no Topázio Cinemas.
Em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, um dos mais importantes escritores do cânone ocidental William Shakespeare (Paul Mescal, de Aftersun) vive uma tragédia ao lado de sua esposa Agnes Shakespeare (Jessie Buckley, de As Loucuras de Rose) quando o casal perde seu filho de 11 anos para uma das várias pragas que assolaram o século XVI. Hamnet (Jacobi Jupe) era o nome do menino e, nessa história ficcional sobre a vida doméstica de Shakespeare, Agnes (nominadano testamento do Bardo como Anne Hattaway, homônima da atriz famosa) é a narradora e o ponto de vista fundamental da narrativa, demonstrando o luto que acompanha o fim precoce da vida do seu herdeiro. A trama apresenta um artista que era influenciado, acima de tudo, pela sua vida diária. Hamnet acompanha a rotina e o dia a dia de uma família, as alegrias e as tristezas de viver numa pequena vila na Inglaterra do passado e a história de amor poderosa que inspirou a criação da peça Hamlet. Além do prêmio de Melhor Filme de Drama, o Globo de Ouro ainda consagrou Jessie Buckley como a Melhor Atriz da categoria. A direção é de Chloé Zao, vencedora do Oscar por Nomadland e tem Steven Spielberg como produtor.
Em O Diário de Pilar na Amazônia, uma menina curiosa, extrovertida e exploradora chamada Pilar embarca em diferentes aventuras na floresta amazônia para ajudar uma amiga a reencontrar a família. Com sua rede mágica, um presente dado por seu avô, Pilar viaja até a Amazônia junto com o colega Breno e o gato Simba. Lá, eles fazem novos amigos, como a ribeirinha Maiara cuja comunidade foi destruída. Com a ajuda de figuras folclóricos, a jovem e seus amigos embarcam num desafio de encontrar a família de Maiara e impedir o contínuo desmatamento na região.
Extermínio: O Templo dos Ossos acompanha as histórias de Dr. Kelson (Ralph Fiennes, de Conclave) e Jimmy Crystal (Jack O’Connell, de Pecadores), líder de uma seita aterrorizante. Na trama, enquanto Dr. Kelson arca com as consequências de uma relação chocante capaz de despertar uma mudança sem precedentes no mundo em que vivem, o contato de Spike (Alfie Williams) e Jimmy Crystal se torna um pesadelo inescapável. Se antes os infectados eram a maior ameaça para a sobrevivência humana, agora, a insensibilidade e a barbárie tomam conta de maneira brutal. A direção é de Nia DaCosta, de As Marvels.
O mais premiado
Com dois prêmios no Festival de Cannes – Direção e Ator – e dois no Globo de Ouro – Filme em Língua Não-Inglesa e novamente Ator – além de diversos outros troféus pelo mundo, O Agente Secreto já é o filme brasileiro mais premiado da história. Isso que o Oscar ainda nem indicou os candidatos finais.
Kleber Mendonça Filho recria a Recife de 1977, e seu filme anterior, Retratos Fantasmas, foi fruto da pesquisa necessária para a realização de O Agente Secreto. O espectador é transportado para os anos 1970, dos detalhes de direção artística ao clima paranóico que fazia com que segredos fossem silenciados em conversas privadas.

Marcelo, que é como Wagner Moura se apresenta, chega na capital pernambucana para ficar numa curiosa hospedagem de refugiados, gente que, por um motivo ou outro, está fugindo de alguém ou alguma situação. A dona e gerente é dona Sebastiana (Tania Maria, que estreou em Bacurau), uma mulher que se revelará bem mais do que a senhora simpática que acolhe a todos com empatia.
Nosso protagonista tem um filho, Fernando, que está sendo criado pelos avós maternos, depois que Fátima (Alice Carvalho, em curta mas memorável participação), mulher de Marcelo, faleceu de forma não totalmente revelada, mas é muito por conta dela a perseguição sofrida pelo marido.
Outro núcleo curioso é centrado no delegado Euclides (Roberto Diógenes), praticamente uma caricatura (mas nem tanto) dos policiais do cinema dos anos 70, que faz questão de desfilar seu autoritarismo em cima dos populares e subserviência com a elite. O episódio do depoimento da madame que deixou a filha da empregada sair de casa para ser atropelada na rua ecoa em evento de 2020, no mesmo Recife, só que a criança caiu no poço do elevador.
Kleber tem alternado seus filmes entre o protagonismo coletivo dos primeiros Einsenstein – casos de O Som ao Redor e Bacurau – e os que tem um herói individual – casos de Aquarius e este O Agente Secreto. O filme ainda se dá ao luxo de contar com coadjuvantes de luxo, como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone e Hermila Guedes, um sinal do prestígio construído pelo diretor.