Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, vencedor do Globo de Ouro nas categorias Melhor Filme de Drama e Melhor Atriz em Filme de Drama, é uma adaptação do livro de mesmo nome de Maggie O’Farrell, publicado no Brasil pela Intrínseca em 2021.

Nesta obra vencedora do Women’s Prize for Fiction, a autora se inspira na tragédia de William Shakespeare para retratar uma família destroçada pelo luto e pela perda e uma reconstituição delicada e memorável de um menino cuja vida foi esquecida, mas cujo nome intitula uma das peças mais celebradas de todos os tempos.

O longa tem estreia no Brasil marcada para 15 de janeiro. Um dos favoritos para receber o Oscar de Melhor Filme, é estrelado por Paul Mescal e Jessie Buckley e dirigido por Chloé Zhao, que já ganhou a estatueta de melhor direção em 2021 por Nomadland.

Mergulho

Em 1596, o filho de onze anos de William Shakespeare, Hamnet, morreu em Stratford-upon-Avon, pequena cidade na Inglaterra, de causa desconhecida. Poucos anos depois, o famoso dramaturgo inglês escreveu a peça considerada por muitos sua obra-prima, dando a seu herói trágico uma variação do nome de seu filho morto.

Passados quase quatro séculos, Maggie O’Farrell era adolescente, quando, na escola, ouviu falar do menino pela primeira vez.

A semente da curiosidade plantada há trinta anos se transformou em um romance premiado que, sem mencionar o nome do dramaturgo, mergulha profundamente na história da família ― focando na trajetória da mãe da criança, a quem a autora chama de Agnes (outra variação do nome da esposa de Shakespeare seria Anna), e nas suas tentativas desesperadas de salvar o filho.

É a partir dessas poucas referências disponíveis sobre a vida do bardo que Maggie O’Farrell cria magistralmente a trama protagonizada por Agnes, uma mulher excêntrica e selvagem que costumava caminhar pela propriedade da família com seu falcão pousado na luva e tinha dons extraordinários, como prever o futuro, ler pessoas e curá-las com poções e plantas.

Enquanto isso, o personagem mais famoso do romance não tem nome; ele é chamado de “seu marido”, “o pai”, “o tutor de latim”. Filho de um luveiro caído em desgraça e com péssima reputação na cidade, ele casou-se com a protagonista, detentora de uma generosa porção de terra e alguns anos mais velha. Tiveram uma filha e um casal de gêmeos.

Após o casamento, Agnes se torna uma mãe superprotetora e a força centrífuga na vida do marido, que seguira para Londres com o objetivo de se estabelecer como dramaturgo. A vida do casal é gravemente abalada quando o filho Hamnet sucumbe a uma febre repentina.

Hamnet é a prova de que sempre há novas histórias a serem contadas até quando se trata de uma das figuras históricas mais conhecidas. A obra também revela a escrita extremamente versátil de O’Farrell, com um entendimento profundo dos laços humanos ― qualidades atribuídas também a um certo professor de latim de Stratford” ― The Observer

A Autora

Nascida na Irlanda do Norte em 1972, Maggie O’Farrell cresceu no País de Gales e na Escócia e mora atualmente em Edimburgo. Também é autora de A Mão que Me Acariciou Primeiro (vencedor do Costa Novel Award); Instructions for a HeatwaveThis Must Be the Place; e, mais recentemente, Existo, Existo, Existo: Dezessete Tropeços na Morte.

Hamnet, de Maggie O’Farrell

Tradução: Regina Lyra
Páginas: 384
Editora: Intrínseca
Livro impresso: R$ 79,90
E-book: R$ 54,90

por Fábio Alexandre

No jornalismo desde 2000, já passou por diversas redações, sempre envolvido com a cultura de Indaiatuba (SP) e Região Metropolitana de Campinas (RMC). Fã de cinema, games, séries, literatura e histórias em quadrinhos, é co-editor do portal Nerd Interior!

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