Terminou no domingo, dia 22, O Cavaleiro dos Sete Reinos, série de apenas seis episódios curtos (cerca de 40 minutos cada), mas certamente a melhor coisa produzida dentro do universo de Game of Thrones, após a própria.

A série é inspirada em contos de George R.R. Martin (um dos produtores), numa época entre A Dança dos Dragões (A Casa do Dragão) e As Crônicas de Gelo e Fogo (Game of Thrones), acompanhando as aventuras de Sor Duncan, o Alto (Peter Claffey, de Pequenas Coisas como Estas), e seu escudeiro, o menino Egg (Dexter Sol Ansell).

O cavaleiro apelidado de Dunk acaba de perder seu mestre, Ser Arlan de Pennytree (Danny Webb, de Alien 3), e resolve tentar a sorte num torneio em Vauffreixo.

Em um albergue no caminho conhece o menino de cabelo raspado, que também deseja ir ao evento. Com três cavalos para cuidar, após alguma resistência, Dunk acaba aceitando-o como escudeiro.

Sendo um completo novato, o jovem cavaleiro é informado que, para participar das justas, ele tem que ser apadrinhado por algum nobre, então ele sai em busca de alguém de se lembre de seu mestre para homologar sua reivindicação.

Durante essa peregrinação, ficamos conhecendo diversos personagens coadjuvantes, como Ser Lyonel Baratheon (o ótimo Daniel Ings, da série Magnatas do Crime), da mesma casa do rei Robert Baratheon de GoT; a atriz e artesã mambembe Tanselle (Tanzyn Crawford, que esteve na série Servant, da Apple+), por quem Dunk tem uma queda; o escudeiro Raymun (Shaun Thomas, de O Lar das Crianças Peculiares), que vira amigo do cavaleiro andante; e os príncipes Targeryon: o herdeiro Baelor (Bertie Carvel, de The Crown), seu irmão Maekar (Sam Spruel, de Lendas do Crime) e o cruel Aerion (Finn Bennet, de Tempo de Guerra).

Inesperadamente, após ser descartado pelos nobres que Ser Arlan jurava ter servido, o único que reconhece o mestre de Dunk é justamente o maior importante: o herdeiro e mão do rei, Baelor.

Cavaleiros andantes

Enquanto nosso herói passa por poucas e boas para participar do torneio, vemos como vivem, trabalham e se relacionam as pessoas comuns em Westeros, algo que é pouco explorado nas outras megasséries do universo criado por George R.R. Martin.

Ao mesmo tempo, conhecemos como funcionam as dinâmicas entre as grandes casas, as menores e os cavaleiros andantes, que não serviam a um senhor fixo, alugando sua espada por serviço.

Aliás, o título original, A Knight of Seven Kingdons, que traduzido ao pé da letra seria Um Cavaleiro dos Sete Reinos, é mais honesto que O Cavaleiro dos Sete Reinos, porque Dunk é um entre muitos que buscam ascender numa sociedade cruel e estratificada.

A trama ganha dimensão épica quando ele intervém numa agressão do príncipe Aerion contra Tanselle, por ela participar de uma peça em que um dragão é derrotado.

Uma grande revelação acontece e o protagonista sofre falsas acusações, pelas quais será submetido pelo Julgamento dos Sete, uma forma de justiça arcaica, em que sete homens de cada lado se enfrentam defendendo acusado e acusador.

Na grande tradição de GoT, o penúltimo episódio é sempre o clímax da temporada, e é quando acontece uma das melhores batalhas medievais já filmadas no audiovisual.

O season finale é um belo fechamento, que bem poderia encerrar a jornada de Dunk e Egg, mas já sabemos que a segunda temporada está em produção.

Triunfo

Além de um triunfo do showrunner Ira Parker (que participou de A Casa do Dragão e The Last Ship), pela alta qualidade do roteiro, direção e fotografia que coordenou, também tem a felicidade na escalação da dupla de protagonistas.

Aliás, o que andam colocando na água das escolas de arte dramática da Grã-Bretanha? No ano passado, fomos impactados pelo muito jovem Owen Cooper em Adolescência, que ganhou praticamente tudo a que concorreu.

Neste ano tivemos os pequenos Jacobi Jupe, o Hamnet da obra-prima de Zoé Chao, e Dexter Sol Ansell, nosso Egg de O Cavaleiro dos Sete Reinos.

Mesmo levando em conta os méritos de seu parceiro de cena Peter Claffey, um ex-jogador de rugby que atua há quatro anos, é o pequeno ator que carrega a carga dramática como a herança de sangue maldito.

Uma atuação extraordinária tanto na sutileza quanto nos momentos mais emocionantes. Deve suceder seu compatriota Owen Cooper como papa-tudo na próxima temporada de premiações.

por Marcos Kimura

Marcos Kimura é jornalista cultural há 25 anos, mas aficionado de filmes e quadrinhos há muito mais tempo. Foi programador do Cineclube Oscarito, em São Paulo, e técnico de Cinema e Histórias em Quadrinhos na Oficina Cultural Oswald de Andrade, da Secretaria de Estado da Cultura. Programa o Cineclube Indaiatuba, que funciona no Topázio Cinemas do Shopping Jaraguá duas vezes por mês.

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