A primeira temporada de Paradise foi uma das sensações da temporada passada, muito por conta do plot twist já no primeiro episódio. Como falaremos da segunda, caso você não tenha visto a do ano passado, melhor parar aqui para não receber spoilers.

No final da temporada anterior protagonista Xavier (o sempre ótimo Sterling L. Brown, de This is Us) deixa o bunker em que a elite americana e alguns “colaboradores” essenciais se abrigaram após um evento apocalíptico, em busca da esposa, Teri (Enuka Okuma, de Rookie Blue). Mas não vemos o que aconteceu com ele de imediato.

Ao invés disso, acompanhamos a vida da guia turística Annie (a estrela Shailene Woodley, da trilogia Divergente), que trabalha em Graceland (sim, a mítica casa de Elis Presley) quando o fim do mundo chega. Ela e a colega Gayle conseguem sobreviver graças aos recursos da mansão-museu, até que Annie acaba sozinha.

Certo dia, um grupo de nômades chega ao local, e pós muita desconfiança da parte de Annie, que já era uma mulher cheia de traumas antes mesmo do apocalipse, ela se aproxima do líder, Link (Thomas Doherty, da versão mais recente de Gossip Girl). Na partida do grupo, que pretende chega ao bunker, ele pede que ela se junta a eles, mas Annie se acovarda e fica novamente sozinha, e grávida de Link.

A história de Anne se cruza com a de Xavier quando ela ouve um barulhão que parecer ser de um avião caindo. Mas até se encontrar com a garota, nosso protagonista passará por alguns perrengues que lhe dará uma ideia do que o mundo se tornou após a catástrofe global.

Aliás, a natureza do fim do mundo conhecido não é inteiramente explicado na série. A princípio, parece ser resultado do Homoceno, que é como alguns arqueólogos e historiadores chamam a atual era geológica, por conta da influência da ação humana sobre o planeta. Mas, em carto momento, é mencionado a erupção de um supervulcão, o que, em tese, teria pouco a ver com crise climática, poluição do ar e dos mares.

O showrunner Dan Fogelman, que criou também This is Us, tem uma visão relativamente otimista da humanidade. Embora existam predadores e saqueadores nesse mundo pós-apocalíptico, as pessoas em geral são relativamente generosas e empáticas, bem diferente do mondo cane de The Walking Dead e The Last of Us, em que os humanos são piores que os zumbis.

Enquanto isso, no bunker, “Sinatra” (Juliane Nicholson, de Mare of Easttown) de recupera do tiro que levou no final da primeira temporada, e vê sua liderança sendo desafiada pelo novo presidente Baines (Matt Malloy), que pretende cortar a energia para o projeto secreto dela. Para impedi-lo, ela aciona sua executora Jane (Nicole Brydon Bloom, de A Era de Ouro), que vai ganhar um episódio só dela para explicar sua história (e sua psicopatia).

Teri, a mulher de Xavier, ganha um arco próprio para contar o que aconteceu com ela nos quatro anos sobrevivendo no planeta devastado, em que se junta ao um grupo de sobrevivencialistas reunidos pelo carteiro Gary (Cameron Britton, o serial killer Kemper de Mindhunter) e seu amigo Ennis (Andy McQueen, de Outer Banks).

Após diversos acontecimentos, todos vão convergir ao bunker, que vive uma crise silenciosa que subitamente se torna emergencial. A psicóloga Gabriela Torabi (Sarah Shahi, de Pesso de Interesse, série que está sendo reexebida na Netflix e se tornou ainda mais interessante atualmente) volta a aparecer após vários episódios sumida, tomando decisões cruciais e vivendo uma torta de climão. O projeto secreto de Sinatra é revelado e suas implicações tem pistas espalhadas ao longo da temporada. Sua localização, o aeroporto de Denver, é uma anedota em si, já que a construção exótica, que inclui uma estátua de cavalo assustadora, deu origem a diversas teorias da conspiração, as quais Paradise acrescentará mais uma.

Dan Fogelman felizmente aprendeu com This is Us, que foi esticado além da conta pela audiência, e limitou esta história a três temporadas que, como vemos, tem um cenário diferente cada uma. Espero com boa expectativa pelo final de Paradise.

por Marcos Kimura

Marcos Kimura é jornalista cultural há 25 anos, mas aficionado de filmes e quadrinhos há muito mais tempo. Foi programador do Cineclube Oscarito, em São Paulo, e técnico de Cinema e Histórias em Quadrinhos na Oficina Cultural Oswald de Andrade, da Secretaria de Estado da Cultura. Programa o Cineclube Indaiatuba, que funciona no Topázio Cinemas do Shopping Jaraguá duas vezes por mês.

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