Review | Pinguim (Max e HBO)

A minissérie de um dos principais vilões do Batman já está considerada uma das melhores do ano, e consagra a nova fase ótima de Colin Farrell, que inclui o filme que lhe deu uma indicação ao Oscar, Os Banshees de Inisherin (Disney+) e a série Sugar (Apple TV+).

Já andam chamando Pinguim de Os Sopranos da DC, já que se trata mais de uma narrativa de gangsters que de universo de super-heróis. A ausência do Homem-Morcego é gritante, mas tiraria o foco sobre nosso protagonista.

A história começa quando o Batman de Matt Reeves, produtor-executivo da série, termina. Gotham está inundada, especialmente os bairros pobres. Nesse momento de devastação e de vácuo de poder após o assassinato do chefão Carmine Falcone (no longa, John Turturro; aqui, o vilão recorrente Mark Strong) pelo Charada é que surge a oportunidade desejada por Oswald Cobb, o Pinguim, ou Oz, como ele prefere.

Mesmo sob quilos de maquiagem facial e corporal, Colin Farrel entrega uma atuação espetacular, com voz e sotaque peculiares.

Ao mesmo tempo, sua principal antagonista, Sofia Falcone – papel que certamente colocará Cristin Miliot (How I Met Your Mother) no radar de Hollywood – sai do Asilo Arkham com a fama de ser a serial killer Hangman, ou Carrasco.

Sua trajetória de vingança, busca pelo poder, descoberta do passado da família e – porque não? – empoderamento, é outro trunfo da série. O quarto episódio, inteiramente dedicado a ela, é um dos pontos mais altos da minissérie.

Outros destaques são o jovem discípulo do Pinguim, Vic (Rhenzy Feliz, ironicamente vindo de Os Fugitivos da Marvel), que como muitos garotos, vê no crime uma saída da miséria e mediocridade; e a mãe do protagonista, Francis (Deirdre O’Connell, irmã de Foggy Nelson em Demolidor), cujo comportamento errático só compreendemos no devastador sétimo episódio.

E não podemos esquecer a showrunner Lauren LeFranc, que tem no currículo Agentes da S.H.I.E.L.D. e Hemlock Grove, série de vampiros que só eu gostava.

O encerramento é uma porrada que deixa ainda dois ganchos interessantíssimos: vai colar no segundo Batman com Robert Patttinson ou em outro derivado? Perguntas que mal podemos esperar para saber a resposta.

Marcos Kimura http://www.nerdinterior.com.br

Marcos Kimura é jornalista cultural há 25 anos, mas aficionado de filmes e quadrinhos há muito mais tempo. Foi programador do Cineclube Oscarito, em São Paulo, e técnico de Cinema e Histórias em Quadrinhos na Oficina Cultural Oswald de Andrade, da Secretaria de Estado da Cultura.

Programa o Cineclube Indaiatuba, que funciona no Topázio Cinemas do Shopping Jaraguá duas vezes por mês.

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