Nos últimos anos, a Disney descobriu na produção de live-actions de seus grandes sucessos animados, uma nova e rentável fonte de renda. Ao menos, na maioria das vezes. Esta fórmula trouxe à vida filmes de Cinderela (2015), A Bela e a Fera (2017), Alladin, O Rei Leão (ambos de 2019), e mais recentemente, Lilo & Stitch, um estrondoso sucesso de bilheteria.
O que todas estas produções têm em comum? São baseadas em clássicos Disney, com décadas de seu lançamento e até hoje adoradas pelo público de todas as idades. Desta maneira, podemos chegar à conclusão que os live-actions trazem ao público a possibilidade de rever um lugar de conforto, aquela história que mexeu – e ainda mexe – com os sentimentos.
Mas e se o live-action chega às salas menos de dez anos após o lançamento da animação? Bem, o resultado é até interessante, mas completamente insosso e fora do timing. Assim é Moana, em cartaz nos cinemas de todo o Brasil, que traz Catherine Laga’aia no papel principal e Dwayne ‘The Rock’ Johnson como o semideus Maui, personagem que dublou na animação.
Na trama, 100% idêntica à original, Moana Waialiki é uma jovem corajosa que vive em uma ilha e sonha em explorar o oceano além das margens que cercam seu lar. Filha do líder de sua comunidade e descendente de uma longa linhagem de navegadores, tudo corria bem na sua vida até que algo coloca em risco o futuro de seu povo.
Ao descobrir que o semideus Maui foi responsável por desencadear o desequilíbrio que afeta a natureza, Moana parte em uma jornada pelo mar para encontrá-lo e restaurar o coração da deusa Te Fiti. Enfrentando criaturas perigosas, desafios marítimos e a superproteção do pai, ela embarca em uma aventura de autodescoberta.
De Nada
É claro que assisti a versão dublada, aos lados dos filhos, e a sensação de déjà-vu permeia toda a exibição. Entenda, isso não é ruim. Mas certas histórias encaixam melhor no mundo da animação, onde tudo é lúdico e a jornada da heroína improvável ganha tons mágicos e repletos de momentos memoráveis.

No live-action, parece que tais momentos não são tão evidentes. Muito embora Catherine Laga’aia seja uma ótima Moana, parece muito mais dependente de Maui do que é na animação. Assim, a dinâmica da dupla fica um tanto quanto irregular, o que pode causar certo estranhamento a quem é apegado à trama original.
As músicas de Lin-Manuel Miranda, Mark Mancina e Opetaia Foa’i seguem contagiantes, assim como os números de dança que são bem feitos e repletos de efeitos especiais. Mas não foram suficientes para me convencer que eram necessários no “mundo real”.
Moana, o live-action, talvez precisasse esperar um pouco mais para chegar à vida real. Mas é claro que o sucesso da animação Moana 2 – criada como uma série de TV e convertida para os cinemas com sucesso – e a vontade de The Rock em assumir o papel de Maui pesaram na decisão da Disney.
Com um custo estimado de 250 milhões de dólares, mais o investimento em marketing, este novo live-action ainda tem muito a percorrer para não dar prejuízo à Disney. Talvez se tivesse chegado às salas daqui alguns anos, o sucesso seria maior. Mas talvez seja apenas eu apelando para um saudosismo que, ainda, não está coberto pela poeira do tempo.
