Duas continuações de comédias brasileiras, um filme de terror com Jessica Chastain, um suspense coreano e uma animação espanhola são os lançamentos da semana. Carros, da Pixar, volta aos cinemas em comemoração dos 20 anos de seu lançamento, mas, muito mais importante, Ran, obra-prima de Akira Kurosawa, de 1985, também retorna às telonas em versão remasterizada em 4k, exclusivamente no Cineclube Indaiatuba terça-feira, no Topázio do Shopping Jaraguá.
Duas décadas depois da primeira troca de corpos, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia (Cléo Pires), agora adulta e casada com Aquiles (Rafael Infante). Tudo parece em equilíbrio até que uma situação inesperada abala a dinâmica da família e coloca as relações à prova. Quando o raio parece cair mais uma vez no mesmo lugar, a família toda é levada a encarar um novo desafio: aprender a se colocar no lugar do outro… talvez de um jeito bem literal. Anita Barbosa substitui Daniel Filho, que assinou os dois primeiros Se eu Fosse Você, na direção.
Outra Mamãe é baseado no livro Incidents Around the House, de Josh Malerman e conta a história de Bela (Arabella Olivia Clarke, de A Empregada), uma garota de 8 anos que vive em uma família cheia de discussões. Quando uma entidade idêntica à sua mãe (Jessica Chastain, de A Hora Mais Escura) começa a aparecer no seu quarto, o que parecia ser apenas fruto da imaginação se transforma em um pesadelo. A criatura manipuladora está decidida a ocupar seu lugar dentro da casa e evolui até atacar a menina, espalhando o medo entre todos na família. A aparência da entidade torna cada vez mais difícil distinguir o que é real do que é sobrenatural. Embora a trama e o nome se assemelhem com Mama, de 2013, também com Jessica Chastain, os filmes não são relacionados. A direção é de Rob Savage, de Bogeyman: Seu Medo é Real, e no elenco também estão Dichen Lachman (Ruptura) e Karen Allen (Os Caçadores da Aca Perdida).
Um Tio Quase Perfeito 3 acompanha Tony (Marcus Majella) após os acontecimentos dos outros filmes. Os seus sobrinhos estão cada vez mais independentes e ele sente dificuldade em lidar com a distância que surge entre eles. Além disso, de forma completamente inesperada uma bebê chamada Alice é deixada na porta de sua casa. Sem saber quem são os pais da criança, Tony pede para que os seus sobrinhos ajudem a descobrir quem deixou Alice ali. Entre noites sem dormir, trocas de fraldas e até mesmo prisão, ele descobre que a chegada da bebê pode transformar sua vida de maneiras que jamais imaginou. A direção é de Pedro Antonio, que dirigiu Magela em Agentes Muito Especiais.
Hope: O Primeiro Impacto se passa no pacato vilarejo sul-coreano de Hope Harbor, que está sendo aterrorizado por uma criatura misteriosa. O chefe de polícia Bum-seok (Hwang Jung-min, de O Gosto da Vingança) e a policial Sung-ae (Hoyeon, de Round 6) são chamados para investigar o que está acontecendo no local e para descobrir de onde essa ameaça surgiu. Enquanto tentam fazer o trabalho, os moradores da região começam a reagir de forma estranha e cada vez mais intensas, e uma sequência de acontecimentos violentos transforma o caso em uma tragédia de proporções inimagináveis. A direção é de Na Hong-jin, de O Caçador, e no elenco também está o casal Michael Fassbender e Alicia Vikander.
Em As Aventuras de Tadeo Jone e a Lâmpada Mágica, Tadeo Jones embarca em uma nova aventura ao lado de sua namorada, Sara, e dos inseparáveis amigos Múmia, Jeff e Belzoni. Desta vez, tudo começa quando o explorador acidentalmente desencadeia um antigo feitiço, colocando o grupo diante de uma ameaça que pode mudar seus destinos. Para desfazer a maldição, Tadeo e seus companheiros precisam enfrentar desafios, perigos e mistérios enquanto percorrem diferentes cenários em busca de uma solução. Em meio a descobertas inesperadas e situações divertidas, a equipe terá de unir coragem, inteligência e amizade para impedir que o feitiço provoque consequências ainda maiores.
Cineclube
O Cineclube Indaiatuba, do qual fou um dos fundadores, orgulhosamente apresenta para os neófitos deste século Ran, um dos melhores filmes de um dos maiores diretores, Akira Kurosawa. Japão, século XVI. Hidetora (Tatsuya Nakadai), o poderoso chefe do clã dos Ichimonjis, decide dividir seus bens entre os três filhos: Taro Takatora (Akira Terao), Jiro Masatora (Jinpachi Nezu) e Saburu Naotora (Daisuke Ryu). Com o primeiro fica a chefia do feudo, as terras e a cavalaria. Os outros dois ficam com alguns castelos, terras e o dever de ajudar e obedecer Taro. Saburu, prevendo as desgraças que viriam, se mostra contrário à decisão paterna. Expulso do feudo e acaba sendo acolhido por Nobuhiro Fujimaki (Hitoshi Ueki), de quem se torna genro. Hidetora vai ao seu antigo castelo, que agora é de Taro, e não é bem recebido. O mesmo acontece ao visitar Jiro e, isolado em seu ex-império, Hidetora se aproxima da insanidade.
Kurosawa já havia adaptado outra peça de Shakespeare, Macbeth, para o Japão feudal em Trono Manchado de Sangue (1957) e em Ran ele faz sua versão para Rei Lear, seu último filme de samurai e, para mim, um dos melhores. É um espetáculo visual maravilhoso, uma alegoria do fim do mundo em que destacam Mieko Harada como a terrível Lady Kaede, e o comediante Pîtá, fazendo o bobo da corte Kyôami. Tatsuya Nakadai, falecido no ano passado, estreou no cinema numa ponta em Os Sete Samurais (1954) e foi coadjuvante de Toshiro Mifune em Yojimbo (1961), Sanjuro (1962) e Céu e Inferno (1963), mas sua parceria com Kurosawa seria marcada por Kagemusha (1980) e este Ran. Outro diretor com quem ele teve atuações marcantes foi com Masaki Kobayashi, em clássicos como a trilogia Guerra e Humanidade (1959-1961) e o maravilhoso Harakiri (1962).
