“Tubarões”, de Vinícius João Luis Vianna, é o vencedor do 1º Prêmio Paulo Antônio Lui de Curtas-Metragens. A premiação aconteceu terça-feira, dia 1º, no Centro Cultural Wanderley Peres. “Cabra-Cega”, de Júlia Liranço Sanchez, ficou com a segunda colocação e “Eu Ainda Existo”, de Fernando Felipe de Almeida, levou o terceiro lugar. As produções foram selecionadas a partir de 13 curtas inscritos. A cerimônia contou com a presença de Paulo Celso Lui, filho do homenageado, que fundou a Lui Cinematográfica, hoje Topázio Cinemas, falecido no ano passado. Hilton Rufino, identidade nada secreta do Koringa, representou a Secretaria de Cultura.
A iniciativa tem como objetivo valorizar a produção audiovisual e incentivar novos talentos do cinema, proporcionando aos realizadores a oportunidade de apresentar seus trabalhos ao público, já que os três selecionados foram exibidos antes das sessões de filmes alternativos, às terças no Topázio do Shopping Jaraguá. A qualidade dos curtas surpreendeu pela qualidade, criatividade e nível de profissionalismo.
O primeiro colocado, “Tubarões”, conta a vida de um caminhoneiro dirigindo horas a fio, cansado e sozinho em sua cabine, até uma parada em um posto de combustível na estrada, onde conversa com colegas sobre a decisão de seu filho de seguir nessa vida. São depoimentos reais de profissionais do transporte de cargas. O título se refere a como os caminhoneiros se identificam pelo rádio durante as viagens. O destaque do filme fica por conta da montagem a partir de imagens gravadas na cabine, na estrada, de pontos fixos e em movimento em vários locais, para serem editados numa narrativa coerente.

Já “Cabra-Cega” acompanha Sofia, que, no refúgio do quarto, inventa mundos diante da velha câmera de sua mãe. Enquanto encena um casamento, os ecos da casa atravessam sua fantasia. Entre a inocência da brincadeira e as vozes que insistem em entrar, realidade e imaginação se confundem até que o jogo precise terminar. Dizem que que dirigir criança é fácil, mas a atuação da pequena protagonista se destaca, assim como as tomadas a partir do ponto de vista de uma criança pequena.

“Eu Ainda Existo” apresenta a história de Pedro e Lúcia, que têm suas vidas transformadas e seus sonhos interrompidos quando a demência frontotemporal invade o cotidiano, desafiando memórias, afetos e a própria identidade. A edição frenética gera uma história de amor fragmentada em que realidade e alucinação se misturam, assim como a noção de espaço-tempo.
Os vencedores receberão premiações de R$ 4.448,00, R$ 3.812,00 e R$ 2.251,00, respectivamente, totalizando R$ 10.511,00 em prêmios.
A avaliação técnica foi realizada por uma Comissão Julgadora formada por Fernanda Gonçalves, Nádia Mangolini e Luma Reis, profissionaicontratadas para a função, sendo atuantes na área audiovisual.
