Todo mundo que você conhece tem algum tipo de relacionamento com a música. Em maior ou menor grau, mas é muito difícil encontrar alguém que passe inerte, a vida toda, por todas as músicas com as quais já teve contato: há trilhas sonoras que marcam momentos feliz, tristes, de tensão; há letras que fazem sentido com uma fase, um dia especial, ou um futuro desejado. Há, ainda, melodias que só sensibilizam e ficam marcadas na alma.
Cientificamente falando, há uma série de estudos mundo afora que atrelam ouvir canções dos mais variados gêneros musicais a benefícios para a saúde, que vão do ativamento de uma vasta rede de áreas cerebrais, promovendo uma comunicação aprimorada entre elas, até a à manutenção do volume cerebral; da liberação de dopamina no cérebro, a redução de sintomas de depressão, ansiedade e insônia; de suporte na reabilitação motora a uma intervenção valiosa para indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
No entanto, há casos ainda mais extremos, onde o poder da música é tão grande que pode chegar a salvar vidas. Ao menos no singular, pois eu sou uma prova viva disso.
No último dia 13 de junho de 2026, completaram-se 20 anos de lançamento do álbum One-X, da banda Three Days Grace. O álbum que, categoricamente, ajudou a salvar a minha vida. E acho que vale a pena contar um pouco de toda essa história aqui.
Contexto: a banda antes do One-X
A história do Three Days Grace começa, como boa parte das histórias que importam, bem antes de qualquer gravadora aparecer no horizonte. Era 1992, em Norwood, uma cidade pequena no interior de Ontário, Canadá, quando Adam Gontier e Neil Sanderson, ainda no colegial, fundaram uma banda chamada Groundswell. O grupo durou até 1995, se desfez, e dois anos depois reapareceu com um novo nome, um novo integrante e uma proposta diferente: Gontier, Sanderson e o baixista Brad Walst agora se chamavam Three Days Grace. O nome, segundo o próprio Gontier, carregava uma pergunta embutida: se você tivesse três dias para mudar algo na sua vida, conseguiria? Uma pergunta que, anos mais tarde, o álbum One-X responderia de maneira brutal e honesta.
Estabelecidos em Toronto, o trio conheceu o produtor Gavin Brown, que selecionou os melhores demos e ajudou a construir o que se tornaria a música que abriu as portas da indústria: “I Hate Everything About You“. A faixa foi suficiente para chamar a atenção da Jive Records, subsidiária da Sony, e garantiu à banda um contrato. O álbum de estreia homônimo foi lançado em 22 de julho de 2003 e certificado platina nos Estados Unidos e dupla platina no Canadá, que foram números consideráveis para uma banda canadense de rock alternativo que mal havia completado uma década de existência.
Ainda em 2003, o guitarrista Barry Stock entrou para o grupo depois de ser apresentado à banda pelo seu empresário em Toronto. Com Stock assumindo a guitarra solo (função que Gontier acumulava desde a fundação) o Three Days Grace se tornava um quarteto pela primeira vez. Seria a formação que levaria o álbum seguinte ao mundo.
O que veio depois foi uma turnê que durou dois anos. A banda abriu shows para Nickelback, Evanescence e Hoobastank, apareceu na trilha sonora do filme Raise Your Voice (2004) e construiu uma base de fãs sólida na América do Norte. Na superfície, tudo indicava uma carreira em ascensão consistente. Por baixo, a vida constante na estrada cobrava um preço que levaria tempo para ser compreendido.

O lançamento: aspectos técnicos e o álbum em si
One-X não chegou ao mundo no tempo em que foi planejado. O álbum deveria ter sido gravado com Gavin Brown, o mesmo produtor do debut, e lançado no verão de 2005. A internação de Adam Gontier, da qual vamos tratar mais adiante, mudou tudo isso.
Com a agenda redesenhada e o processo criativo reiniciado a partir dos registros que Gontier havia feito durante a reabilitação, a banda optou por trabalhar com um nome novo na equação: Howard Benson, produtor sediado em Los Angeles com um histórico extenso em rock: Papa Roach, My Chemical Romance, P.O.D., Hoobastank. Não era uma escolha aleatória. Benson era conhecido por uma abordagem particular: mais atenção aos vocais, harmonias e melodias do que à carga crua que havia definido o debut. Para um álbum cujo material lírico vinha de um diário escrito dentro de uma clínica de reabilitação, essa escolha fazia sentido. A intensidade já estava no conteúdo. A produção precisava deixá-la respirar.
As gravações aconteceram entre novembro de 2005 e janeiro de 2006, em dois estúdios na Califórnia: o Bay 7 Studios, em Valley Village, Los Angeles, e o Sparky Dark Studios, em Calabasas. Para os vocais, Benson usou um microfone Sony C800G (um equipamento de tubo, raro, preferido pela sua resposta brilhante e agressiva em vozes intensas), associado a um compressor Tube-Tech CL1B e um pré-amplificador Neve 1073. Um assistente de estúdio ficava ao lado de Benson durante as gravações para controlar manualmente os níveis conforme a intensidade de Gontier variava, reduzindo a necessidade de compressão excessiva. Gontier gravou entre dez e quinze takes de cada faixa; ele e Benson revisavam juntos para escolher os melhores desempenhos. Sobre o guitarrista, Benson já declarou publicamente que Barry Stock é um dos seus “Holy Grail de guitarristas”: alguém que consegue equilibrar agressividade e musicalidade com precisão rara.
O álbum foi lançado em 13 de junho de 2006 pelo selo Jive/Sony BMG, detalhe que tem peso histórico: foi o único disco lançado sob a Sony BMG, joint venture que seria dissolvida em 2008. Também foi o primeiro álbum gravado como quarteto, com Stock consolidado definitivamente na guitarra solo.
One-X tem 12 faixas, 43 minutos e 44 segundos de duração, e uma capa que resume o conceito inteiro antes de a música começar: uma fileira de bonecos de papel conectados, todos com uma marca de “correto”, exceto um, com um “X”. O elemento que não se encaixa, riscado onde os outros estão aprovados. Na bandeja interna do CD, todos os peixes são vermelhos, exceto um, preto. Gontier explicou que representava “solidão e isolamento”, tema que atravessa o álbum do início ao fim. No encarte, uma frase montada a partir de fragmentos de diferentes letras do disco, escrita pelo próprio Gontier, sintetiza o arco emocional percorrido:
“I’m on the edge and falling off / and I’m sick of feeling numb / Help me believe it’s not the real me / Maybe we can turn it around / Cause it’s not too late / I’m standing here alone / feeling so stepped on / It won’t be long until I’m burning on the inside / I just don’t care anymore / That it drags me down / Things are clear / I will not die / We are one.”
Vale dizer ainda que existem duas faixas extras em versões diferentes do álbum: as edições japonesa e britânica de One-X contém a faixa bônus “Running Away”*; a edição deluxe do iTunes conta com “Wicked Game”, cover de Chris Isaak.
Não era um álbum de rock tentando parecer profundo. Eram sinceridade e honestidade que encontraram o rock como forma de expressão.
*PS: agora, a canção está oficialmente nos streamings da banda, com o lançamento da edição digital de 20º aniversário do álbum (YouTube, Spotify, Amazon, iTunes), bem como versões stripped acoustic de Animal I Have Become, Pain e Never Too Late.
O pós-lançamento: recepção, turnê e consolidação
One-X entrou na Billboard 200 na posição #5, com 78 mil cópias vendidas na primeira semana nos Estados Unidos. No Canadá, estreou no #2 da Canadian Albums Chart. As críticas da época foram mistas a positivas: o Toronto Star publicou com o título “Um CD que vale a pena comprar…” e destacou que “as letras realmente falam com você, especialmente se você está passando por um momento difícil”; a AllMusic descreveu o álbum como um “passo proficiente na direção certa”. Houve quem chamou de post-grunge não original e super produzido. De fato, musicalmente falando, o álbum não reinventou a roda e soou um pouco mais formulaico do que a estréia. Aliás, essa mistura de riffs pesados do new metal com aquela angústia herdada do grunge noventista, que deu origem ao chamado “post-grunge”, acabou sendo alvo de muitas críticas à época, por conta de sua simplicidade “genérica”, encontrada em nomes como Creed, Nickelback, Hoobastank, Breaking Benjamin, Seether, Staind, Red e outros tantos… sim, é aquele estilo que os jovens, no Tik Tok, chamam de “rock de pai divorciado”.
Os singles contaram uma história diferente. “Animal I Have Become”, lançada como primeiro single em 10 de abril de 2006 (e disponibilizada antes disso no MySpace da banda em 1° de abril), ficou sete semanas no #1 no US Mainstream Rock Tracks e duas semanas no US Modern Rock Tracks. Foi a música rock mais tocada no Canadá em 2006, segundo o Mediabase, e venceu o Billboard Music Award de Rock Single of the Year. Em março de 2026, ultrapassou 1 bilhão de streams no Spotify, tornando o Three Days Grace a primeira banda canadense com dois singles no “Billions Club” da plataforma.
“Pain”, o segundo single, ficou nove semanas no #1 nos charts de rock dos EUA, empatando com “Animal I Have Become”. “Never Too Late”, lançada em maio de 2007, chegou ao #1 por sete semanas no Mainstream Rock e ficou 43 semanas no Alternative Airplay, mais do que qualquer outro single do álbum — sendo o único crossover da banda, alcançando o Mainstream Top 40 e o Adult Top 40. A CBC Music descreveria a faixa, em 2025, como “a favorita imediata de todo adolescente solitário, triste e irritado da época”.
A turnê de suporte ao álbum durou mais de dois anos. A banda abriu shows para o Staind em 2006, e depois para o Nickelback na All the Right Reasons Tour em 2007. Na segunda metade de 2007, realizou o One-X Tour pela América do Norte e Japão, com Breaking Benjamin e Puddle of Mudd no suporte, e tocou ainda na Austrália. Entre setembro e novembro de 2007, fez co-headlining com o Breaking Benjamin. Em 2008, fechou o ciclo com datas nos Estados Unidos, Canadá e, no final do ano, na Europa.
Um dos momentos mais significativos desse período, porém, não aconteceu em um estádio. Em novembro de 2006, Adam Gontier levou a banda para tocar no CAMH, Centre for Addiction and Mental Health, em Toronto: o mesmo onde havia se internado. Após o show, respondeu perguntas do público. O evento foi filmado e integrou o documentário Behind The Pain (2007), que reunia entrevistas com os membros da banda, material de bastidores e filmagens da turnê para contar a história que estava por trás do álbum.
Ainda durante a turnê, Gontier organizou a “Three Days to Change Tour”: uma série de shows gratuitos em centros de tratamento de dependências, abrigos, lares comunitários e centros de detenção por toda a América do Norte. Não era marketing. Era consequência direta de quem fez aquele álbum, não em oposição ao sofrimento, mas por causa dele.
Em 21 de março de 2008, a banda gravou no Palace of Auburn Hills, em Michigan, o que se tornaria o Live at the Palace 2008, seu primeiro DVD ao vivo, dedicado à memória do empresário Stuart Sobol e lançado com nota 8.7 no IMDb.
Ao fim de tudo, os números: mais de 1,5 milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos, certificação 5× platina pela RIAA, 3× platina no Canadá, premiações no Billboard e no BMI Awards, e indicações ao Juno Awards de 2007 nas categorias Álbum do Ano e Grupo do Ano. Não é um álbum que aconteceu por acidente.
A origem do One-X: O que aconteceu antes das gravações
Há uma distinção importante entre álbuns que falam sobre dor e álbuns que são feitos a partir dela. One-X é do segundo tipo.
Durante a extensa turnê que se seguiu ao debut homônimo (dois anos de estradas, shows, cidades que se repetem sem nunca se tornarem familiares), Adam Gontier desenvolveu uma dependência do OxyContin, nome comercial da oxicodona, um analgésico opióide de prescrição. O isolamento da vida na estrada, a paradoxal solidão de estar sempre cercado de pessoas que não te conhecem de verdade, e uma depressão que carregava há anos foram se combinando até que não havia mais como ignorar o que estava acontecendo.
O baixista Brad Walst descreveu esse estado em entrevista. “Algumas pessoas ao redor te conhecem, mas você não as conhece de verdade, e elas não te conhecem — ainda assim você age como se conhecesse. É estranho como você pode se sentir completamente só no meio de uma multidão“, destacou.
Em 2005, com o apoio da família, dos amigos e dos companheiros de banda, Gontier se internou no CAMH — Centre for Addiction and Mental Health, em Toronto, um dos mais importantes centros de saúde mental e tratamento de dependências do Canadá. E foi lá, sem a dinâmica coletiva da banda, sem turnê, sem palco, que algo inesperado começou a acontecer: Gontier passou a escrever, para exorcizar seus demônios e para buscar um fôlego em meio a tudo que vinha o soterrando física e emocionalmente.
Mais do que partituras e letras, ele construía um diário. Registros do que sentia: a raiva, o entorpecimento, o vazio, e também os momentos em que conseguia enxergar algo além daquele estado. Essas páginas se tornariam a espinha dorsal lírica de todo o álbum. Músicas como “Animal I Have Become”, “Pain”, “Over and Over”, “Gone Forever” e “Never Too Late” nasceram diretamente desses registros. No documentário Behind The Pain, Gontier descreveu o processo. “Geralmente nos sentamos como grupo, conversando, trabalhando juntos. Mas ali eu estava sozinho, escrevendo sobre como me sentia“, completou o vocalista.
Cada faixa carrega uma camada específica desse período. “Animal I Have Become” traduz a sensação de não se reconhecer mais, afinal a dependência havia transformado Gontier em uma versão de si mesmo que ele não reconhecia. Ele mesmo explicou.”‘Animal I Have Become’ é minha percepção de que uma mudança precisava acontecer, de que eu precisava pedir ajuda.” O riff central da música surgiu ainda em 2004, num ônibus de turnê na Alemanha, como lembrou Brad Walst lembrou ao Billboard. “Eu disse que aquele riff seria ótimo, pesado. Assim que voltamos para a América do Norte, começamos a tocá-lo como uma música pesada e foi tipo: ‘merda, acho que acertamos’.” As letras, no entanto, só chegariam meses depois, dentro da clínica.
“Pain” foi composta quando a banda estava em Bancroft, Ontário, na casa de um amigo. Gontier descreveu a faixa como a tentativa de nomear “a sensação de estar constantemente entorpecido pelas coisas ao seu redor, por causa de suas próprias ações, e estar enjoado desse sentimento”. “Over and Over”, com seus arranjos de cordas compostos por Deborah Lurie, carrega versos que descrevem com clareza a dinâmica compulsiva da dependência: “eu sei o que é melhor pra mim, mas eu quero você em vez disso”.
Em entrevista ao Loudwire, o guitarrista Barry Stock revelou que o riff de “Riot” foi inspirado na música “Black Sabbath”, da banda homônima inglesa. Escrita também durante a reabilitação, a faixa é um chamado coletivo contra o esgotamento: “If you feel so empty / So used up, so let down“. Foi lançada como quarto single em novembro de 2007 e ao lado de “Animal I Have Become” aparece na trilha sonora do jogo WWE SmackDown vs. Raw 2007.
E há “Never Too Late”, que o próprio Gontier descreveu como “a mais difícil de escrever” e “a que mais me toca quando tocamos ao vivo”. Segundo Brad Walst, foi a primeira música composta para o álbum. A letra parte de um lugar de depressão profunda, isolamento e pensamentos de desistência, e caminha em direção a uma conclusão que não é fácil, mas é real: “É sobre sentir que você chegou ao limite e está decidindo se vai desistir completamente ou tentar sobreviver mais um dia”, revelou Adam Gontier.
Após receber alta, Gontier se reuniu com os demais integrantes na casa do lago de Neil Sanderson, no norte de Ontário, para terminar o álbum. Foi nesse retiro que descobriu que seus colegas também haviam sentido isolamento e desencanto durante as turnês. Não era uma experiência só sua. Essa revelação importou não porque tornasse o sofrimento menor, mas porque o tornava menos solitário. É o mesmo arco que a faixa-título percorre: de “I’m standing here alone” até “We are one”.
Por fim vale encarar que o álbum não foi uma terapia disfarçada de canções. Foi a documentação honesta de alguém que passou por algo muito difícil, sobreviveu, e teve a capacidade (e a coragem) de transformar esse percurso em música. A mesma música que, 20 anos depois, ainda encontra pessoas no momento certo. Como aconteceu comigo.
Sobriedade e um relato além-música que poderia nem existir
Em 2006 eu estava com 19 anos. Vida universitária, trabalho, início da vida amorosa… Eu experienciava uma adolescência tardia, devido a um período anterior bastante… estranho, digamos assim. Soma-se a tudo isso diversos problemas com autoestima, distúrbios psicológicos devidamente diagnosticados mais tarde, drogas e bebidas alcoólicas e você tem uma bomba H, capaz de implodir, mais de uma vez, toda a estrutura de um jovem sem muita.
Embora já tivesse visto alguns clipes da banda nas falecidas MTV e MIX TV, nunca dei muita atenção à banda nessa época. E olha que eu estava ali, no epicentro do movimento new-metal, com direito a calças largas e tudo mais, ouvindo bandas como Linkin Park, Deftones, System of a Down, Ill Niño e Rage Against The Machine. Foi um período que coincidiu com uma transição do rap nacional, que moldou meu caráter na juventude, para o metal extremo do Thrash, Death, Grind e outras coisas alguns anos depois. Hoje, minhas playlists são assim mesmo: de Stevie Wonder a Nasum; de Sepultura a Elton John; de Lady Gaga a Krisiun.
Mas como eu dizia, fui introduzido à banda quando ganhei um CD (sabe?) com mp3 de algumas bandas – entre as quais, constava o supracitado One-X. Foi paixão à primeira vista. Me senti interessado no som, e, em seguida, pelas letras e temáticas do álbum. Era alguém falando para mim sobre tudo aquilo que eu sentia, e que não conseguia externar de forma alguma. E mais do que cantar aquelas dores: foi possível superá-las. Era o norte que me faltava.
Foi ali que encontrei uma mão onde segurar para passar por uma barra que quase levou minha vida algumas vezes, me destruiu financeira e profissionalmente, me interrompeu a vida universitária e tudo mais. Amigos vinham e iam embora – muito por não desejarem se envolver com alguém tão instável, muito por minha culpa mesmo. Difícil julgar, pois eu mesmo, sendo obrigado a viver comigo, não tolerava a minha existência – quem dirá outrém.
Mas eu achei alguém que passou pelo Vale das Sombras e da Morte, e sobreviveu. Por que eu não poderia vislumbrar a luz também? O que me tornava menos digno de uma vida, e de uma vida longe daquilo onde eu estava? Eu entendi que também era “one x”. E decidi me escolher, pela primeira vez na vida.
Hoje, são 6 anos e 7 meses, ou 2378 dias completamente limpo, de qualquer tipo de substância química que tomou de mim a autonomia em algum momento da vida. Longe de mim soar catequista ou pregador de uma verdade, mas a sobriedade é possível sim e celebrar o legado deste álbum, para mim, é encorajar a vida. Retome o controle sobre a sua vida.
Casado, com um filho e vivo, não vou entrar num discurso de que minha vida melhorou completamente. Afinal, sóbrio você encara o mundo de olhos e peito aberto. Ainda pesam, diariamente, as sequelas de anos a fio de uso de um monte de lixo que destruiu meu psicológico e físico. Mas sou eu, vivo. Ainda estou aqui, como diria o filme. E que bom que é estar aqui.
Obrigado, Three Days Grace. Obrigado Adam Gontier. Obrigado à mim mesmo.
PS: peço perdão pelo atraso na publicação deste conteúdo, mas vale a intenção. E como diz o próprio álbum, “it’s not too late, it’s never too late…“
