Emmy Rossum surgiu com sua beleza renascentista aos 18 anos em O Fantasma da Ópera (em que exibe suas virtudes no bel canto), O Dia Depois de Amanhâ (sci-fi cada vez mais real) e Sobre Meninos e Lobos (premiado trabalho de Clint Eastwood). Tudo indicava caminho aberto para o estrelato, mas engrenou uma séries de bombas, como o live-action Dragonball Evolution.
Só que em 2011, ela entra no elenco de Shameless, como a filha mais velha de uma família disfuncional de Chicago, cujo pai alcoólatra é vivido pelo excelente William H. Macy e um dos irmãos por Jeremy Allen White, o futuro The Bear. A própria Emmy afirmou que as 11 temporadas nessa série foram importantes para que ela, aos 40 anos, chegasse ao papel de Alice Black em Fúria. Por causa da data, indicações a prêmios para ela só na próxima temporada. Mas devem pintar.
Ela é uma agente iniciante do FBI, que teve que deixar a polícia de Nova York após ser agredida pelo namorado Marshall (Jake Lacy, da 1ª temporada de The White Lotus) também policial, e a delegacia ter se voltado contra ela. A exceção é seu ex-parceiro Danny (Scott McNery, que foi Woody Guthrie em Um Completo Desconhecido), secretamente apaixonada por ela e que também sofreu as consequências por ter ficado do lado dela.
Uma ligação a respeito de um homicídio, em que a vítima é filho do biliardário Jay Easton (Peter McRobbie, de A Visita), faz com que ela perceba semelhanças com a morte de um traficante de mulheres e passe a acreditar que se trate de um serial killer.
Já na abertura somos apresentados a Catherine Grace (Lola Petticrew, da minissérie britânica Não Diga Nada, numa atuação mesmerizante), a assassina que usa seu talento para sedução, desenvolvido após anos sendo explorada como prostituta, para se vingar. Louquinha da silva, mas muito astuta e capaz de perceber e manipular os desejos das outras pessoas.

A fúria do título até poderia ser da ruiva fatal, mas a própria Alice carrega demônios que vão além do trauma da agressão que sofreu. Quando se une à Nora Washington (Quincy Tyler Bernstine, de O Casamento de Rachel), chefe do Departamento de Abuso Sexual, uma Sibéria dentro do FBI, as duas percebem que a rede de crimes sexuais tem conexões dentro da própria agência federal.
Aqui, as mulheres são de fato protagonistas, tanto Alice, a investigadora, quanto Nora, a chefe veterana, e Catherine, a assassina. Todas frutos de traumas pessoais e de uma estrutura patriarcal que as oprime e, por vezes, as abusa. Ao mesmo tempo, os homens são patéticos, tanto Marshall, o namorado violento, que não sabe o que faz quando bebe (o que não é desculpa); quanto Jay, o velho bilionário incapaz de abandonar seus vícios, certo da impunidade.
Entre os alvos de Catherine, dois se destacam pelos atores que os interpretam, Rob Delaney, o Peter de Deadpoool 2 e Deadpol e Wolverine, que interpreta Oliver Charles, um ricaço viciado em sexo; e Campbel Scott, de filmes como Vida de Solteiro e O Exorcismo de Emily Rose, que vive o advogado de Jay Easton, cuja principal função é livrar a cara do cliente. Finalmente temos Hope Davis, de O Suspeito da Rua Arlington, como Emma, filha de Jay, que aparentemente faz tudo pelo pai, mas acaba tendo objetivos próprios.
Fúria funcionaria bem como minissérie, mas o sucesso já fez com que uma segunda temporada fosse confirmada. Vai ser interessante saber como os personagens principais seguirão em frente, e também o que aconteceu com Alice no passado.
