Até onde você iria para realizar um sonho? E se este sonho estivesse a 8.848,86 metros acima do nível do mar, você seguiria em frente? Sonho de dez entre dez alpinistas, o Monte Everest foi um desafio inalcançável durante décadas, até que uma dupla improvável derrubou as expectativas e alcançou o topo.
Este feito coube a Sir Edmund Hillary, alpinista, explorador e filantropo neozelandês, e a seu parceiro Tenzing Norgay, alpinista nepalês-indiano da tribo sherpa, nascido e criado em Tengboche, Khumbu, no nordeste do Nepal. Mas como essa dupla se tornou a primeira a chegar ao topo, após diversas incursões frustradas de alpinistas do mundo inteiro?
Essa é a missão de Tenzing, filme baseado em fatos reais disponível na Apple TV+ e que, se não é exatamente um divisor de águas do cinema, é uma história que tem o que muitas não possuem: coração.
Vamos à sinopse: Tenzing narra a história pouco conhecida de Tenzing Norgay (Genden Phuntsok, espetacular), um talentoso alpinista do Himalaia que, ao lado do neozelandês Edmund Hillary (Tom Hiddleston), tornou-se o primeiro a escalar o Monte Everest.
Encorajado por sua esposa Dawa (Thinley Lhamo), Tenzing encontra uma aliada na secretária da expedição, Jill Henderson (Caitriona Balfe). Juntos, eles convencem o Coronel John Hunt (Willem Dafoe) de que Tenzing pertence à equipe britânica de alpinismo, e não apenas a servi-la.
Enquanto os alpinistas ocidentais veem o “Everest” como algo a ser conquistado, Tenzing reverencia “Chomolungma” como a sagrada deusa-mãe. O que se segue é uma ascensão definida tanto pelas tensões entre origens, classes sociais e ambições conflitantes quanto pelos perigos da própria montanha.
Mas lá no alto, acima do mundo, império, hierarquia e aspirações desaparecem, deixando dois forasteiros unidos por respeito e confiança mútuos – e, para Tenzing, a realização de um sonho de vida e uma vocação espiritual.
Jornada

Muito mais que os passos que levam ao cume do Everest, o filme nos apresenta a coragem e determinação daquele que, contra todas as probabilidades, seria um dos primeiros a chegar ao topo do mundo. Desde sua infância pobre, o afastamento dos pais e a chegada da mulher que mudaria sua vida, somos apresentados a Tenzinq e sua fascinação por Chomolungma.
Fascinação esta que, muito diferente do que vemos nas figuras dos alpinistas europeus, vai além do simples fato de vencer o desafio e chegar ao topo. Tenzing e seus colegas sherpas – conhecidos por servir como apoio às incursões na montagem de acampamentos e para carregar suprimentos – veem a montanha como uma deusa, alguém que as conforta e traz sustento, e não somente como um desafio a ser batido.
Esta relação com a natureza e a imponência da montanha mais alta do mundo é um dos pontos mais interessantes do filme e revela uma forma muito diferente da ocidental de apreciar, cuidar e venerar a natureza. Porém, também não os impede de continuar desafiando Chomolungma – e como diz um deles, ouvir seu chamado.
A relação entre Edmund e Tenzing é pouco explorada, mas fica evidente que o neozelandês identifica, desde o início da expedição, que o alpinista sherpa tem algo a mais. Dessa relação inicialmente distante surge uma parceria que envolve excelência, confiança e conhecimento amplo daquela região, algo determinante para o sucesso.

E é justamente nessa relação que a cineasta Jennifer Peedom aposta: Edmund tem a expertise e recursos, Tenzing tem a vontade e conhecimento do terreno. Enquanto nenhum outro alpinista observa em Tenzing aquele algo a mais, é nisso que Edmund aposta, desde o início.
Porém, é na figura de Tenzing que a história reside. Sua fascinação pela montanha, da infância à adolescência, passando pela fase adulta e até mesmo por seu casamento e a relação com as filhas, é o grande diferencial do filme. E cabe ao ator Genden Phuntsok colocar tudo isso na tela, com sucesso.
As histórias de Tenzing e Chomolungma se entrelaçam de tal maneira que, mesmo que você não saiba que o alpinista sherpa tenha sido um dos primeiros a chegar ao topo, é impossível não torcer por ele. Afinal de contas, não estamos falando de uma montanha qualquer, mas do Everest, túmulo gelado de muitos alpinistas e exploradores até os dias de hoje.
Como a própria sinopse determina, Tenzing é uma história de grandeza que se recusa a ser diminuída – e do amor que a torna possível. E não haveria melhor forma de destacar este lançamento da Apple TV+. Confira!
