Review | Três Horas para Viver

Os anos 80 e 90 foram marcados por uma verdadeira revolução tecnológica, cultural e comportamental. Nas salas de cinema não foi diferente e um tipo de personagem, em especial, marcaria a vida de muita gente – e a bilheteria de muitos estúdios. Estou falando dos action hero ou o exército de um homem só.

É claro que Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger foram os expoentes deste fenômeno e disputavam ferrenhamente a preferência do público. Décadas depois, os brucutus já não estão mais no topo, mas ainda contam com seus representantes.

Em alta após diversas tentativas de alcançar o grande público, passando por séries como Smallville, onde viveu Aquaman, e Titãs, como Rapina/Hank Hall, Alan Ritchson conquistou a audiência com a nova adaptação de Reacher, do Prime Video, baseado no personagem criado por Lee Child, e Máquina de Guerra, filme da Netflix.

Seu mais novo projeto chega aos cinemas e é um suprassumo da testosterona, com um pingo de emoção e muitas piadas. Três Horas para Viver (título nacional para Runner, cuja tradução seria corredor ou entregador/faz-tudo) é um típico exemplar de filmes de ação com um toque a mais para o público brasileiro, com Rodrigo Santoro no papel do vilão.

O lançamento no Brasil acontece pela Diamond Films.

Transportador de elite e a chance de redenção

Hank Malone (Alan Ritchson) é um ex-soldado que trabalha como transportador de elite, especializado em missões que exigem preparo físico, precisão e capacidade de enfrentar situações extremas. Ele recebe uma tarefa aparentemente simples, mas de enorme responsabilidade: transportar um órgão vital até um hospital, onde Ellie (Scarlett Crabtree), uma menina de apenas sete anos, aguarda um transplante urgente.

Como o título nacional diz, ele terá uma janela de apenas três horas para completar a missão e conta com a ajuda de Ben Bishop (Owen Wilson), responsável por proteger a carga durante o transporte, e de Kate (Leila George), mãe de Ellie.

O problema começa quando Damián Zaldívar (Rodrigo Santoro), líder de uma poderosa organização criminosa, descobre a existência do órgão e decide se apoderar dele. A partir desse momento, Hank e Ben passam a ser perseguidos por criminosos dispostos a tudo para impedir que o transplante aconteça.

Enquanto o relógio avança, Hank precisa usar sua experiência militar e suas habilidades para manter o órgão protegido e encontrar uma maneira de chegar ao hospital antes que o prazo termine. Cada atraso aumenta o risco para a menina, tornando a missão ainda mais angustiante.

Odiar Rodrigo Santoro como Damián Zaldívar é quase que obrigatório
Ação com coração… e senso de humor

Com direção de Scott Waugh, que tem em seu currículo outros filmes de ação como Need for Speed: O Filme, Os Mercenários 4, Projeto Extração e Ato de Coragem, este Três Horas para Viver (quem foi o responsável por esse título, hein?) é um pouco mais que um filme de ação. Porquê?

Porque é claro que temos Alan Ritchson fazendo o que sabe, destruindo coisas e distribuindo sopapos, mas também temos Owen Wilson fazendo o que sabe melhor, como um alívio cômico para as situações de tensão e perigo – com direito a participação de uma simpática e rara ave exótica.

Mas também temos Rodrigo Santoro como um vilão ardiloso que, pasmem, vive sofrendo com uma mãe que vive comparando-o com o falecido pai. Mais um bom trabalho do ator brasileiro, a quem é quase impossível não odiar.

No entanto, o ‘coração’ de Três Horas para Viver reside na busca pela sobrevivência da pequena Ellie e de um detalhe no passado de Hank que faz toda diferença em sua missão de entregar o órgão para transplante, haja o que houver.

Mostrando seu lado gigante gentil, Ritchson caminha para seguir dominando o gênero de ação, respeitando o legado dos primeiros brucutus do cinema.

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