Review | Corra!

O terror viveu anos de desgaste no fim da década de 90 e início dos anos 2000, passando pela fase das franquias e found footages. Porém, parece que um novo fôlego vem sendo dado ao gênero e isso já pode ser visto na atualidade.

Depois de um 2016 com produções interessantes como Invocação do Mal 2, O Homem nas Trevas e A Bruxa, agora é a vez de 2017 mostrar que o gênero pode voltar a render bons frutos. Após Fragmentado gerar alvoroço na rede com a possível volta do diretor M. Night Shyamalan aos velhos tempos, agora é a vez de Corra! (Get Out) encantar crítica e público.

Jordan Peele estreia na direção com o pé direito. Apesar de não conseguir passar para a tela uma identidade visual própria, nem um trabalho de câmera tão apurado como outros diretores, merece destaque pelo seu trabalho como roteirista. O enredo do filme é muito bem pensado e escrito, trazendo à tona o racismo como um dos elementos principais da trama.

No filme, Chris (Daniel Kaluuya do episódio Fifteen Million Merits de Black Mirror) é um jovem negro que namora Rose (Allison Williams da série Girls), uma garota branca que o levará para conhecer seus pais (vividos por Bradley Whitford de O Segredo da Cabana e Catherine Keener de Um Crime Americano). Contrariado, uma vez que eles não sabem de sua etnia, Chris chega à casa dos pais de Rose e diversos acontecimentos vão deixá-lo ainda mais desconfiado daquela família.

Desde o princípio, é notável perceber que Peele não tem intenções de deixar o espectador sem dicas ou pistas do que está acontecendo, pelo contrário, os mais atentos poderão sacar algumas coisas bem antes do final. Com isso, o filme não tem ares de terror, mas sim de thriller psicológico, o que nos deixará mais curiosos em saber o que de fato acontecerá no final, do que com medo do que possa nos assustar.

Aliás, os momentos de tensão talvez sejam menos memoráveis do que os momentos cômicos do filme, graças ao amigo de Chris, Rod (LilRel Howery da série The Carmichael Show), que é um excelente alívio cômico.

Peele traz uma pegada Black Mirror ao seu longa – será que a escolha de um ator da série foi acaso? – com um tema polêmico para discussão, como o racismo, enquanto utiliza uma linguagem popular e atual para tratar disso.

O resultado do filme é agradável e acima da média, a história é envolvente e sem muita enrolação, levando o espectador para dentro da trama e deixando-o ansioso pelo final, que acaba sendo a melhor parte do filme.