Meu eu cinéfilo é feito de diversas referências nos mais variados gêneros. Mais um filme, em específico, bagunçou tanto minha mente, que me fez apaixonar ainda mais pela sétima arte. Trata-se de Uma Cilada para Roger Rabbit (1988), do diretor Robert Zemeckis, que eu já idolatrava por De Volta para o Futuro (1985).
A mistura de live-action com animação só não era mais surpreendente que seu roteiro e seus protagonistas, incluindo o próprio Roger, Jessica Rabbit e o vilão Juiz Doom, vivido por Christopher Lloyd. O número de easter eggs na tela – como o encontro entre Pernalonga e Mickey – era outro atrativo. Enfim, Absolute Cinema.
Por isso, fui ansioso assistir Coyote vs ACME e antes de qualquer coisa, adianto: não é um Roger Rabbit, mas é muito legal. A história por trás da produção, aliás, daria outro filme. A Warner, alegando abatimento fiscal, descartou o filme praticamente pronto – junto Batgirl, que não conseguiu se salvar.
Coube ao diretor Dave Green (As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras) agitar as redes sociais com um pedido de socorro que deu certo: diversos estúdios procuraram a Warner para adquirir os direitos da produção, entre elas Netflix, Amazon, Paramount e Sony. No final, quem venceu a disputa foi a Ketchup Entertainment, que pagou algo entre 50 e 75 milhões de dólares.
De Volta ao Jogo
Assim, três anos após o fim da produção, Coyote vs ACME finalmente foi revelado ao mundo. No filme, Wile E. Coyote falha novamente em capturar o ligeiro Papa-Léguas e – finalmente – percebe algo em comum em todos os seus fracassos: os produtos ACME. É então que resolve procurar um escritório de advocacia que procura por aqueles que foram prejudicados pela megacorporação.
Assim ele chega ao advogado Kevin (Will Forte) e sua ajudante Paige (Lana Condor), decidido a revelar ao mundo que os produtos ACME não prestam. Mas será que é só isso? Do outro lado, Kevin acaba no meio de uma grande disputa, bem diferente dos casos e acordos que costuma fazer por algumas centenas de dólares.
Em seu caminho encontra Buddy Crane (John Cena), líder do time de advogados de Frangolino, chefão da ACME, e mesmo disposto a dar um fim no caso, acaba sendo levado ao tribunal quando o caso ganha repercussão. E aos poucos, descobre que tem muito mais envolvido.

Coyote vs ACME utiliza antigas fórmulas de filmes de tribunal, mas as subverte ao incluir os personagens animados de Looney Tunes, como Patolino, Pernalonga, Piu-Piu, TazMania, entre outros. Destaque também para a participação do Dr. Lorre, uma homenagem ao ator Peter Lorre (Relíquia Macabra) que já esteve em outras animações e ganha um importante papel no cinema.
Aos poucos, o roteiro de Samy Burch, a partir de argumento de Jeremy Slater (Mortal Kombat 2) e James Gunn (Superman), desenvolve a relação humanos e desenhos e comprova que, assim como em quase, há uma desigualdade que pode abalar essa convivência, muito bem trabalhada no filme.
Como disse lá no início, este novo filme não é um Roger Rabbit, mas trabalha com excelência a questão entre humanos e desenhos. E mesmo com um final de certa forma manjado, pode fazer muito marmanjo chorar. Por tudo isso, Coyote vs ACME mereceu chegar ao público, que o recebeu de braços abertos.
Os críticos também, mas quem liga para eles? O importante é se divertir e esta nova mistura entre live-action e animação faz isso muito bem.

