Assisiti Devoradores de Estrelas na última sessão em que o filme esteve em cartaz no Topázio do Shopping Jaraguá de Indaiatuba, e a ocupação era de cerca 70%. Me espantei porque ele já estava há praticamente dois meses em cartaz, e deve ter saído mais em função de dar espaço a lançamentos novos que por falta de público, e acaba de entrar no streaming para compra ou aluguel em diversas plataformas.
Com orçamento estimado em cerca de 200 milhões de dólares e arrecadação mundial de mais de 650 milhões, o longa estrelado por Ryan Gosling é um dos maiores sucessos do ano. A direção é da dupla Philip Lor e Christopher Miller, que assinou também os dois Anjos da Lei e Uma Aventura Lego, e marca a estreia em Hollywood da alemã Sandra Huller, que viveu o ano mágico de 2024, quando dois filmes estrelados por ela Anatomia de Uma Queda e Zona de Interesse, chegaram ao Oscar, com ela sendo indicada a Melhor Atriz e o segundo longa vencendo como Melhor Filme Estrangeiro. É baseado em um livro de Andy Weir, mesmo autor do texto original de Perdido em Marte, e os dois filmes resultantes foram roteirizados por Drew Goddard..
Ryan Gosling é Ryland Grace, um professor de ensino médio que acorda a bordo de uma nave espacial sem lembrar como e porquê. Aos poucos, descobre que seus dois colegas de tripulação morreram e ele está sozinho numa missão para salvar o nosso Sistema Solar. Aos poucos sua memória vai retornando e em flash backs pontuais, ficamos sabendo que, mais que um docente de uma pequena escola, Grace é um PhD que caiu em desgraça por ter ideias malucas que defendia ao nível do insulto, praticamente um Sheldon Cooper com pinta de Ken da Barbie. Aliás, Gosling consegue ser convincente como um nerd solitário que não sustenta um relacionamento por viver no mundo da Lua (e além). E aí, suas teorias são subitamente confirmadas pelos fatos, para azar da humanidade.
Uma sonda enviada a um misterioso cinturão que surgiu entre o sol e Vênus descobre que uma forma de vida está consumindo a estrela rapidamente, de forma a extinguir a vida na Terra em algumas décadas. A misteriosa Eva Stratt (Sandra Huller, cuja melhor cena – a do karaokê – não estava no roteiro) é encarregada de liderar uma força-tarefa internacional para tentar reverter o processo, e por meio de uma tese acadêmica obscura, descobre Grace, e o convence a participar do projeto.
Eles descobrem que Tau Ceti, uma estrela a 11,9 anos-luz, também tem um cinturaão similar, mas não está sendo consumida, e vira uma esperança para a Terra. No meio dessa ameaça de extinção, a ciência terráquea faz duas descobertas capitais: a primeira forma de vida extraterreste, e que ela também pode se converter em energia capaz de impulsionar um veículo quase à velocidade da luz (opa!). Assim, a espaçonave Hail Mary (Ave Maria, em inglês, e título original do filme e do livro em que é baseado) é construída para levar um piloto, um engenheiro e um cientista até Tau Ceti. As circunstâncias fazem com que Grace seja um dos astronautas.
Ao chegar no objetivo, ele descobre que outra espaçonave também está investigando a estrela, Ele conhece um estranho E.T. , nem um pouco humanóide, mas, como ele, solitário, após também perder os companheiros de viagem.
O contato de terceiro grau (e tem uma piada a respeito) é estabelecido e a comunicação começa por meio do idioma universal, que é a matemática. Grace seu novo amigo de Rocky (manipulado e dublado por James Ortiz), por sua forma rochosa, e os dois passam a trabalhar em conjunto para desvendar o mistério: porque os devoradores de estrelas não estão apagando Tau Ceti?
A relação entre Grace e Rocky é o melhor do filme e fornece o que talvez seja a grande diferença com Interestelar: o astronauta humano não tem praticamente laços afetivos com a Terra, e a amizade com o alien pedregoso se torna a coisa mais importante do universo para ele.
O final é uma clara referência a 2001 – Uma Odisséia no Espaço, o maior sci-fi de todos os tempos, mas que é acusado por muitos de ser hermético. Pois assista Devoradores de Estrelas e talvez você entenda a piada, além de se divertir muito. E pensar que a dupla de diretores foi demitida de Han Solo – Uma História Star Wars para a Lucas Film entregar aquele biscoito água e sal em 2018. Foi mal Kathleen Kennedy…
