Supergirl, segundo longa-metragem do DCU de James Gunn, foi um fracasso nos cinemas, e agora ganha chance de sobrevida na HBO Max. Já adianto que achei a performance negativa do filme no público e em parte da crítica injusta: é um bom trabalho do diretor Craig Gillespie (do subestimado Cruella), divertido e com boa construção da Kara Zor-El de Milly Alcock, a jovem atriz que despontou em A Casa do Dragão.
Coincidentemente, o outro filme com a personagem, de 1984, também foi feito na esteira do sucesso de Superman, neste caso, os de Christopher Reeve, e flopou nas bilheterias, culpa de um roteiro ruim e orçamento pobre. Não é o caso desta nova versão.
Ao contrário de Kal-El, aka Superman (David Corenswet), sua prima teve uma vida como kryptoniana, na cidade de Argo, que sobreviveu à destruição de Krypton graças a um campo de força desenvolvido por seu pai, Zor-El (David Krumholtz, da série Numb3rs). É parte da mitologia dos quadrinhos, e quando cristais de kryptonita do subsolo começam a emitir radiação venenosa na cidade, Zor-El decide enviar a filha para a Terra para acompanhar o primo. A diferença é que os pais de Kara a ensinam a ser boa e ajudar ao próximo, diferente de seus tios Jor-El e Lara, que pretendiam que seu filho usasse seus poderes para conquistar os humanos.
Encontramos Kara na vida louca ao lado de Krypto, o supercão que viajou com ela, visitando planetas com sol vermelho para que a bebida faça efeito em seu organismo superpoderoso sob a radiação amarela. Numa dessas incursões, ela conhece a jovem Ruthye (Eve Ridley, de The Witcher), que busca vingança pelo assassinato de sua família pelo bandoleiro Krem (Mathias Schoenaerts, de The Old Guard 1 e 2), que ainda envenena Krypto e rouba a nave de Kara. Para salvar o cão, ela parte em busca dos bandoleiros em busca do antídoto, relutantemente acompanhada por Ruthye, acabando por cruzar o caminho de Lobo (Jason Momoa, a cara do perosnagem) que está a caça de outro integrante do mesmo bando.
A concepção do espaço sideral do filme é semelhante ao que James Gunn criou em Guardiões da Galáxia, na concorrente Marvel, pouca preocupação em ser cientificamente verossímil, preferindo o humor e o entretenimento. Entre idas e vindas, brigas divertidas e dilemas morais, Kara acaba se aproximando de Ruthye, que, por sua vez, além de admirar os poderes da companheira de jornada, passa a admirá-la.
Sua criação em Argos, mais a perda da família e todos que conhecia, tornam Kara muito diferente de Kal-El, mesmo tendo os mesmos superpoderes. Superman é filho de Martha e Jonathan Kent, com os valores morais do interior do Kansas, enquanto a garota do espaço carrega o peso do luto e a falta de pertencimento no novo planeta e em qualquer outro lugar. Apenas quando ela adquire um propósito é que ela assume o manto da heroína, mas de uma forma diferente do primo “escoteiro”.
A Supergirl que emerge no fim deve ter um papel importante no novo DCverso, mesmo com o fracasso do filme e da cara feia de muitos nerdolas em relação a Milly Alcock. Algo parecido com o que tem acontecido com a série Lanternas, com a construção de Hal Jordan e Jon Stewart diferente dos quadrinhos que anda desagradando muitos fanáticos das HQs, mas com um ótima resposta do público em geral. Espero que Supergirl consiga fazer o mesmo em sua carreira no streaming.
