Se você passou alguma parte dos anos 2000 colado numa tela embaçada de Lan House, olhos grudados em Ragnarok Online enquanto o cooler do PC vizinho tentava decolar, Eden’s Frontier foi feito pra você. O projeto do estúdio sorocabano Frontiers Group Entertainment promete reacender aquela faiscazinha de nostalgia sem abrir mão do conforto que os jogos modernos nos acostumaram.
Na 29ª edição do Anime Art’s, realizada em Sorocaba no dia 26 de abril de 2026, o Nerd Interior bateu um papo com Tadeu Moscatelli, lead programmer e gerente do estúdio. Ele falou sobre o jogo, os desafios de desenvolver um RPG ambicioso no interior paulista e por que a equipe aposta todas as fichas nesse projeto.
Entrevista com Tadeu Moscatelli, Lead Programmer do Frontiers Group Entertainment
[Nerd Interior] Você é programador no estúdio Frontiers Group, certo?
[Tadeu Moscatelli] Sou o lead programmer do Frontiers Group. Já faz um ano e meio que a gente está desenvolvendo o jogo.
[Nerd Interior] A gente está vendo aqui hoje o que vocês estão apresentando pro pessoal: o Eden’s Frontier, é isso? Fala pra gente o que é o Eden’s Frontier.
[Tadeu Moscatelli] O Eden’s Frontier é um projeto de jogo que nasceu do trabalho do nosso diretor e fundador, o Jean. Basicamente é uma vontade que a equipe inteira tinha de trazer de volta o sentimento de nostalgia dos jogos de RPG do fim dos anos 90 e início dos anos 2000. A gente tenta emular essa nostalgia trazendo uma jogabilidade mais moderna, mais responsiva e atualizada.
Tudo isso numa roupagem de uma história bastante interessante, que a gente quer muito que a galera conheça e embarque junto com a gente. A ideia é construir uma franquia sólida e mostrar que é possível produzir jogos de qualidade com boas histórias no interior de São Paulo.
[Nerd Interior] Em que estágio de desenvolvimento está o jogo?
[Tadeu Moscatelli] Estamos abrindo para playtest, então vamos começar a receber feedback externo para ver como está o jogo. E estamos captando investimentos também.
[Nerd Interior] Há quanto tempo vocês estão trabalhando no jogo?
[Tadeu Moscatelli] Um ano e meio de produção. E a gente pretende lançar o jogo em dezembro de 2027.
[Nerd Interior] É para PC ou para outras plataformas também?
[Tadeu Moscatelli] Por enquanto só no PC, porque é mais acessível. Para Xbox, Nintendo e PlayStation, a gente precisa de um kit específico e de uma autorização vinda deles. Já conseguimos estreitar o relacionamento com a Xbox, então já existe uma conversa mais avançada com eles. Ainda estamos atrás de Nintendo e PlayStation. Mas confirmado 100%: Steam.
Um estúdio sorocabano com cara de grande
[Nerd Interior] Falando um pouco do Frontiers Group: vocês são de Sorocaba, a equipe é majoritariamente daqui. Quantos profissionais vocês são?
[Tadeu Moscatelli] Atualmente temos nove profissionais, incluindo pixel artists, artistas 2D, programadores, game designers e engenheiros de som. Uma equipe plural. Tudo o que é visto no jogo foi produzido internamente. Cerca de 90% da equipe é daqui de Sorocaba; temos dois colaboradores de São Paulo. Todo mundo é da região, todo mundo perto.
[Nerd Interior] Esse é o primeiro jogo que vocês estão desenvolvendo?
[Tadeu Moscatelli] Esse é o primeiro como equipe de estúdio. Cada um de nós já teve lançamentos individuais e trabalhamos em outras coisas, mas nos juntamos aqui para produzir este projeto.
[Nerd Interior] O estúdio nasceu pensando nesse jogo ou foi uma consequência?
[Tadeu Moscatelli] O estúdio nasceu pensando nesse jogo. O Jean vai conseguir te responder melhor essa parte, porque ele é o fundador, mas foi com a intenção de dar vida a esse projeto, que era um sonho de infância dele.
A nostalgia e as influências do jogo
[Nerd Interior] Pelo que estou vendo aqui, a impressão que tive foi de Lan House, de jogos do final dos anos 2000. Lembra um pouco os MOBAs, Ragnarok, esse tipo de jogo. Era essa a intenção?
[Tadeu Moscatelli] Exatamente. A gente tenta trazer essa sensação do fim dos anos 90. Vai trazer a questão das Lan Houses, desse tipo de jogo. Nossas principais influências são Ragnarok Online, Ys e Dragon Quest, jogos que a gente jogava quando era mais novo e que têm os elementos que trouxemos para cá. Mas é um emaranhado de influências e de vontades da equipe. A gente tenta emular, mas não é igual. Vai ter muita originalidade, muitas coisas novas e modernizadas nesse sentimento de nostalgia.
Desenvolver games no interior: dificuldade ou vantagem?
[Nerd Interior] A gente sabe que desenvolver games no Brasil não é tarefa fácil. Trazendo isso para a realidade do interior de São Paulo, você acha que torna ainda mais difícil?
[Tadeu Moscatelli] A nossa abordagem da indústria foi muito interessante. Não posso dizer que ser do interior de São Paulo prejudicou a gente em nada. Estamos perto de grandes eventos, tivemos chance de participar deles e conquistar essa visibilidade. A indústria brasileira ainda está se esquentando, mas jogos podem ser feitos aqui com alta qualidade. Não somos a vanguarda, mas estamos junto com ela, produzindo da melhor forma possível, para mostrar que brasileiros conseguem e que essa indústria vai se tornar uma grande diversificadora.
[Nerd Interior] Como profissional e desenvolvedor, qual foi o principal desafio que você encontrou nesse jogo?
[Tadeu Moscatelli] Já trabalhei em desenvolvimento de outros jogos, mas eram mais institucionais. Esse é o primeiro RPG grande que a gente desenvolve. Como profissional, meu maior desafio foi entender o escopo e a produção: entender o que a gente quer que aconteça com o que de fato conseguimos fazer acontecer. Esse choque de realidade foi o nosso maior gargalo. Mas sem sombra de dúvida, foi um desafio fantástico. Desenvolver coisas novas, elevar a nossa régua e entregar um jogo mais polido e mais interessante.
Planos para o futuro do estúdio
[Nerd Interior] Pensando no futuro, vocês pretendem focar nesse nicho de RPG ou partir para outros gêneros?
[Tadeu Moscatelli] Já temos projetados alguns outros jogos, minigames e outras interações da nossa história: jogos estilo idol, jogos mobile. Coisas que queremos produzir como estúdio para fortalecer a marca e o jogo. Mas a obra principal, o filho mais velho, é o Eden’s Frontier. Por enquanto é o nosso foco. A gente não vai desfocá-lo até que ele esteja caminhando sozinho por aí.
Por que testar o Eden’s Frontier?
[Nerd Interior] Convence o pessoal a conhecer o jogo. Está muito bonito aqui, e as pessoas que estão jogando parecem estar curtindo bastante.
[Tadeu Moscatelli] Quem alguma vez jogou um RPG e sentiu aquela sensação gostosa de pertencer ao mundo, de que aquele universo vale a pena, vai encontrar isso aqui no Eden’s Frontier. Um mundo interessante, um mundo vivo, material suficiente para ficar várias horas se divertindo. Temos HQ, muita história na cabeça, vários minigames e vários tipos de gameplay para agradar um público bastante variado. Onde você conseguir encostar e tentar jogar, eu garanto que, pelo menos um pouco, vai se divertir.
Como acompanhar o Eden’s Frontier
O playtest do jogo já está disponível para inscrição na página oficial do Eden’s Frontier na Steam. A equipe também vai marcar presença na Gamescom. Quem quiser mergulhar no universo antes disso pode acessar os 43 pagínas da HQ gratuita no site oficial do projeto.
Fique de olho também na segunda parte desta série de entrevistas, com Jean Felipe, fundador e diretor do Frontiers Group Entertainment, que fala sobre os bastidores da criação do estúdio e os planos de longo prazo para o jogo.
