Nem acredito que nunca fiz um review de For All Mankind, uma das minhas séries de sci-fi favoritas, mas que só eu e alguns devotos acompanhavam. Agora, a história alternativa de uma Terra em que os soviéticos chegaram à Lua antes dos americanos já tem um final anunciado no ano que vem, sendo que a penúltima temporada se encerrou há pouco. Foi um enorme investimento para um retorno de audiência e premiações bem limitados. E ainda está rendendo um spin off, Star City, que aborda essa mesma realidade do ponto e vista da URSS, que também é excelente, e falaremos da primeira temporada em breve.
A expressão For All Mankind – Para Toda a Humanidade – é tirada de uma mensagem deixada no nosso satélite natural pela Apolo 11: “Viemos em paz em nome de toda Humanidade”. Concretamente, o que acontece com os russos vencendo a corrida espacial? Simples: ela não termina, porque agora os americanos passam a mirar em Marte. E para que isso aconteça das duas superpotências tem que montar estações espaciais na Lua.
Os personagens principais nas primeiras temporadas são os astronautas Edward Baldwin (Joel Kinnaman, de Altered Carbon) e “Gordo” Stevens (Michael Dorman, de O Homem Invisível), junto com suas respectivas Karen Baldwin (Shantel VanSanten, a Becca de The Boys) e Tracy Stevens (Sarah Jones, da série Vegas). Entre as consequências da derrota americana na conquista da Lua, é que a Nasa ressuscita o recrutamento de mulheres astronautas (que aconteceu de, de fato, durante o projeto Mercury, mas abortado), e Tracy se candidata e acaba sendo uma das estrelas do programa espacial. Karen, por sua vez, após perder um filho ainda criança, se torna empreendedora e acaba CEO da grande empresa de tecnologia de Dev Ayesa (Edi Gathegi, o Senhor Incrível de Superman). O casal Baldwin ainda adota uma menina vietnamita, Karen (Cynthy Wu, adulta), que se tornará uma bióloga empenhada em encontrar vida fora da Terra.
Baldwin comandou a Apollo 8, a primeira nave a orbitar a Lua e com o módulo lunar, e chegou a cogitar mandar as ordens às favas e se tornar o primeiro homem a pisar num corpo extraterrestre. Como os russos chegaram lá pouco depois, ele passa a se culpar e à Nasa pela falta de coragem. Lembrando que, tanto na série quanto na vida real, o desastre da Apollo 1, quando três astronautas foram carbonizados dentro da capsula durante um treinamento, gerou um trauma nacional e colocou todo o projeto americano em risco, daí a cautela.
Outro personagem importante, que estará presente em toda a série, é Margo Madison (Wrenn Schmidt, que estava no recente Nuremberg), discípula de Werner von Braun (Colm Feore, de Chicago), e que o sucede como engenheira-chefe após ele cair em desgraça quando descobrem que usava escravos judeus na construção de seus V-2 (na vida real, ele morreu festejado como vencedor da corrida espacial). Sua protegée, Aleida Rosales (Coral Peña, adulta) era uma criança mexicana que cresce encantada com a exploração do espaço, vai com a família aos EUA e lá acaba se tornando cientista da Nasa.
A narrativa vai de 1969 até 2012 (a sexta temporada deve se passar em 2020), e ela pode ser dividida na exploração da Lua, na qual americanos e russos inicialmente se enfrentam pela posse do satélite, mas aí descobrem o H3, isótopo do hidrogênio que permite e fusão a frio e muda a matriz energética de toda a Terra, com consequências para a tecnologia e economia do planeta. Em seguida tem a corrida por Marte, na qual as duas superpotências terão que colaborar involuntariamente, o estabelecimento da colônia no planeta vermelho e a descoberta de um asteróide rico em irídio que vai passar próximo de lá, cuja captura vai mudar tudo.
A mistura de ficção com realidade alternativa – diversos personagens da história real são citados e à vezes viram personagens, especialmente na fase inicial, criando aquela sensação de “e se?” a conquista do espaço não tivesse parado na virada dos anos 60 para 70 (de lá para cá, o homem na nossa realidade se limitou à orbita do planeta). Para quem gosta de história e exploração do espaço, é um programaço.
