Slow Horses – que bem poderia ser traduzido como “Pangarés” – é uma das minhas séries favoritas, mas nunca escrevi a respeito. Primeiro, porque nas primeiras temporadas, pouca gente assinava a Apple TV+. Segundo, mesmo depois do streaming da maçã ficar mais popular por causa de Ruptura e Ted Lasso, ninguém conhecia a produção estrelada por Gary Oldman, mesmo ela sendo habituée das premiações. Entretanto, recentemente, dois fatos chamaram a atenção para a série, o rei Charles III se declarou fã e Jack Lowden, co-estrela, se tornou um dos favoritos para assumir o manto de 007 justamente por causa do papel de River Cartwright, inclusive com a torcida pública do veterano colega de elenco.
O ator vencedor do Oscar por seu Churchill em O Destino de Uma Nação é Jackson Lamb, um espião sobrevivente da Guerra Fria que comanda a Slough House, departamento dos rejeitados do MI-5, o Serviço de Contraespionagem britânico, que fica num prédio decadente caindo aos pedaços. O ambicioso River acaba parando lá por causa do fracasso de uma operação simulada, em que ele se torna o bode expiatório da vice-diretora Diane Taverner, interpretada com a classe aristocrética de Kristin-Scott Thomas (Quatro Casamentos e um Funeral e O Paciente Inglês). Além desses, a outra personagem fixa é Catherine Standish (Saskia Reeves, que foi a mãe de Paul Atreides no Duna de 1984), uma secretária veterana do MI-5, colocada na Slough House por causa do alcoolismo, mesmo ela lutando para se manter sóbria.
À primeira vista, Lamb é um sujeito desleixado de hábitos nojentos, que destrata seus subordinados e parece confortável em sua Sibéria do serviço secreto. Na verdade, ele continua sendo um espião de primeira linha, especialmente quando uma crise bate à sua porta, agindo em socorro, ou às vezes para consertar uma “cagada”, de Taverner, a quem chama de forma gaiata, de “Lady Di”.
Cada temporada de seis episódios tem um enredo próprio. Na primeira, abril de 2022 (Casa de Leôes), um sequestro orquestrado pelo próprio MI-5 com o objetivo de reforçar a narrativa do governo, sai do controle e os pangarés, inicialmente culpados pelo fiasco, tem que agira para limpar suas reputações.
A segunda, dezembro de 2022 (Leões Adormecidos), aborda um dos mitos mais recorrentes da Guerra Fria, a dos agentes russos infiltrados na sociedade como cidadãos legítimas (vide The Americans), chamadas de “cigarras” na série. Obviamente, a o objetivo é encontrar o infiltrado final e sua missão.
Na terceira, novembro de 2023 (Tigres Reais), Catherine, o coração da Slough House, é sequestrada e seus captores exigem que River invada a sede do MI-5 em Regent’s Park para roubar um dossiê superconfidencial. A operação revela conspirações no coração do serviço secreto e termina numa batalha em um depósito de arquivos.
Na quarta, setembro de 2024 (Espiões de Meia Tigela), o avô de River, David (Jonathan Pryce, de Evita e Dois Papas), que tem demência, mata um intruso em sua propriedade rural, e seu neto vai à França para saber que era o morto. Lá ele descobre segredos sobre sua própria vida, além de um rede de assassinos.
A quinta, setembro de 2025 (Regras de Londres), começa um massacre coletivo no centro de Londres, ao mesmo tempo em que Cho (Christopher Chung) o membro hacker e nojento da Slough House, começa a namorar uma mulher linda demais para ele, despertando as suspeitas dos colegas. A trama envolve um manual de desestabilização política, usado pelos serviços de inteligência para derrubar governos estrangeiros. Só que agora, está sendo aplicado na Inglaterra.
Na sexta temporada, que terminou no último 21 de outubro (Retaliação), ex-agentes da Sough House começam a ser assassinados e os pangarés em atividade descobrem que foram apagados do sistema do MI-5, e ficam sem salário. Lamb pressiona Taverner e acaba descobrindo uma operação clandestina internacional que coloca em risco a carreira da agora diretora do serviço de contraespionagem, a segurança nacional e a vida de seus agentes.
Algumas caras conhecidas do cinema e TV aparecem ao longo das seis temporadas até agora: o já citado Jonathan Pryce (o inglês que viveu os argentinos Juan Perón e Papa Francisco), como avô de River e ex-chefe do MI-5; Olivia Cooke (Bates Motel e A Casa do Dragão), como colega e um dos interesses românticos do candidato a James Bond; Sophie Okonedo (Hotel Ruanda e Mort no Nilo), diretora do MI-5 e nemesis de Taverner;e Hugo Weaving (o eterno Agente Smith da trilogia Matrix) como pai de River e matador de aluguel. Alguns nem tão famosos, mas com algum destaque recente são Rosalind Eleazar, que protagonizou a minissérie Que Falta Você Me Faz, da Netflix; Kyle Soller, que foi o ótimo antagonista Syril Kam em Andor; e Lucien Msamatti, o cardeal-candidato africano de Conclave. Isso sem falar em Mick Jagger interpretando o tema de abertura, Strange Game, escrito por ele exclusivamente para a produção.
Gary Oldman constrói um personagem fascinante com Lamb, um cara que não está nem aí para a burocracia que o serviço se tornou, mas guarda atrás de si aquela tradição dos melhores filmes de espionagem ingleses. O River de Lowden, em seu desespero de voltar a Regent’s Park, é o cara da ação, sempre disposto a dar a cara pra bater (literalmente) mesmo que muitas vezes erroneamente. Apesar do tom geral de comédia, muitos “pangarés” acabam morrendo em serviço, alguns de forma surpreendente. A série já foi confirmada para a sétima e oitava temporadas.
Sendo os três candidatos finais para ser o próximo Bond, James Bond forem Callum Turner (Mestres do Ar e sr. Dua Lipa), que já andam dando como certo; Josh O’Connor (O príncipe Charles de The Crown); e Jack Lowden, realmente torço pelo último. ParaMim, já deram a dica no final de Slow Horses….
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