Review | Cuphead

A nostalgia move o mercado da cultura pop nos dias de hoje. Não é à toa que nunca se produziram tantos remakes, reboots e outros “re” na indústria do cinema, da TV e, porque não, na dos jogos. Movido por este resgate nostálgico, Cuphead, produzido pela canadense StudioMDHR, surgiu nos PCs e no Xbox One trazendo uma proposta diferente dos jogos atuais, apostando na união do velho com o novo. E deu muito certo!

A aventura dos irmãos Cuphead e Mugman (se você jogar em modo cooperativo) começa quando ambos se metem em uma bela enrascada em um cassino. Cuphead não sabe a hora de parar com as apostas e acaba apostando sua alma e a de seu irmão com o próprio Diabo (daí o subtítulo do jogo Don’t Deal With the Devil). Com a derrota, eles negociam a liberdade desde que consigam resgatar os contratos de almas de outras criaturas em toda Inkwell Isle. É assim que o jogador é inserido em um mundo de nostalgia.

Toda essa descarga de saudosismo é um dos responsáveis por fazer de Cuphead um dos melhores jogos de 2017. Afinal, a nostalgia em si está sempre atrelada a coisas boas (ninguém quer guardar lembranças de momentos ruins). Desta forma, todas as características do jogo entregam ao jogador momentos ou recordações boas, sejam elas visuais (animação), motoras (jogabilidade) ou auditivas (música).

Com o controle na mão, Cuphead é preciso e não inventa muito, assim como seus antepassados do NES, Mega Drive e SNES (lembra de Contra, Gunstar Heroes e Metal Slug). O objetivo aqui é atirar, pular e dar um dash. No começo, parece mais difícil do que realmente é (Cupheadé bastante difícil, acreditem), muito por culpa do mapeamento padrão pouco cômodo dos comandos (você atira com o X, pula com o A e dá dash com o Y). Em alguns momentos do jogo você vai precisar executar as três tarefas praticamente ao mesmo tempo e não precisa de muito para notar que é impossível apertar os três botões de forma precisa. Porém, é possível personalizar o mapeamento e configurar o botão de tiro em um dos gatilhos, o que ajuda muito.

A jogabilidade frenética é embalada por uma trilha sonora que, se não é melhor, é tão boa quanto o esmero visual que o jogo apresenta. As duas fases de run and gun de cada um dos três mundos, mais as batalhas contra os chefes, que são únicos e possuem cada um a sua particularidade, são embaladas por diversos sons que são, especialmente, inspirados no jazz das big bands americanas, mas que também passeiam por sambas e até, pasmem, valsas. Toda música dá a impressão que foi criada em sintonia com a fase ou chefe em que ela é reproduzida, tamanha a sincronia de movimentos dos personagens em relação ao ritmo da canção.

Por último, a animação, assumidamente inspirada nas produções da década de 30 da Fleischer Studios (de Betty Boop) e Walt Disney (como as primeiras animações do Mickey), dá vida aos irmãos xícaras de uma forma inimaginável. Cada quadro do jogo foi totalmente produzido à mão, o que gerou um total de mais de 5 mil desenhos de todo e qualquer tipo de movimento existente durante as horas de jogatina. Saber disso e ver em tela tudo se transformando diante de seus olhos é algo que deveria fazer com que qualquer jogador tenha apreço imediato pela obra que é Cuphead.

Em contrapartida, algo que podemos citar como um ponto fraco é que durante a produção do jogo, a StudioMDHR foi praticamente forçada a incluir as fases run and gun (a premissa principal era um jogo somente com chefes). É uma pena porque a adição das fases, apesar de serem boas, deixou o jogo longo (foram mais de 20 horas para terminar) e elas não se destacam em meio às ótimas batalhas contra os chefes que são, sem sombra de dúvidas, o melhor que Cuphead tem a oferecer.